Paris, 29 (AE-AP) - O primeiro-ministro francês, Lionel Jospin, defendendo-se contra acusações de que ele humilhou a França durante sua recente viagem ao Oriente Médio, afirmou hoje (29) que a política francesa para a região não mudou, mas que a paz, a democracia e o desenvolvimento devem ser enfatizados.
"Equilíbrio, sim. Imparcialidade, sem dúvida", disse Jospin
reiterando os temas que guiam a política francesa para a região. "Mas ser imparcial não quer dizer que sejamos cegos...que devamos ser tolerantes com aqueles que usam de violência", acrescentou.
Na semana passada, o primeiro-ministro socialista foi recebido a pedradas na Universidade Bir Zeit, na Cisjordânia, depois de se referir aos ataques do grupo pró-iraniano Hezbollah como ações "terroristas".
As palavras de Jospin incendiaram os árabes e resultaram em três dias de demonstrações no Líbano, incluindo hoje, quando centenas de vítimas de ataques israelenses no sul do Líbano protestaram em frente à embaixada francesa em Beirute.
A posição do premier francês também resultou em um conflito com o presidente francês, o conservador Jacques Chirac, que por três dias vêm reiterando a intenção da França em manter sua posição de "equilíbrio e imparcialidade" para a região. "Minha ambição é assegurar que a voz da França será ouvida", disse Chirac a jornalistas durante uma visita à Holanda.
Para o ex-ministro das Relações Exteriores Herve de Charette, as imagens de Jospin sendo recebido com pedras no sábado foi "um espetáculo retratando a imagem da humilhação francesa".
O ex-premier conservador Alain Juppe condenou as pedradas, mas mostrou-se preocupado em descobrir se a política francesa para o Oriente Médio mudou.