O principal líder do Movimento dos Sem Terra (MST) do Pontal do Paranapanema, José Rainha Júnior, deverá prestar depoimento hoje, às 14h30, na sede da Polícia Federal, em Presidente Prudente, em inquérito instaurado por solicitação do Ministério da Justiça, que apura a prática de incitação ao crime. Um delegado da Delegacia de Ordem Política e Social - Delops - de São Paulo, foi especialmente designado para tomar o depoimento.
O processo pretende responsabilizar Rainha por declarações recentes, quando ameaçou ‘‘colocar fogo em todos os latifúndios do Pontal’’, caso as exigências do MST, de ampliação do número de assentamentos destinados a reforma agrária, não fossem aceitas pelo governo estadual. O pronunciamento foi feito dia 10 último no início da caminhada realizada pelos sem-terra, entre Teodoro Sampaio e Presidente Prudente.
Ontem, o advogado de Rai© nha, Luiz Eduardo Grenhalgh, informou que não pretende acompanhar seu cliente durante o depoimento, preferindo orientá-lo por telefone, o que faria à noite. Grenhalgh acredita que a instauração do inquérito faz parte de estratégia do governo destinada a cercar as lideranças do MST, colocando-as na defensiva. Ele informou que, no depoimento, Rai© nha deverá negar que teve a intenção de incitar seus liderados ao crime com a declaração.
José Rainha Júnior ameaçou intensificar a invasão de fazendas e mobilizações voltadas para prédios públicos estaduais e federais. Rainha negou que as ações serão desencadeadas em resposta à denúncia por formação de bando ou quadrilha armada, formalizada pelo Ministério Público, contra ele e outros dez dirigentes do movimento. ‘‘Nossa luta continuará sendo em função da necessidade do povo que está passando fome e miséria’’, disse.
O líder disse que a estratégia faz parte da pressão que o MST do Pontal realiza para forçar o governo do Estado a acelerar o processo de arrecadação de terras para a implantação de novos assentamentos. Ele explicou que a mobilização será maior depois das eleições municipais de domingo. ‘‘Queremos demonstrar que nossa luta é pela reforma agrária e não tem calendário eleitoral.’’ (A.E)

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