José Rainha Júnior responsabilizou ontem funcionários do terceiro escalão dos órgãos públicos ligados à questão agrária pela decisão do MST de retomar as ocupações e realizar bloqueios em agências bancárias.
Rainha explicou que as operações desencadeadas visam acelerar o processo de arrecadação de terras para novos assentamentos, agilizar os assentamentos definitivos nas fazendas onde o governo estadual mantém assentamentos provisórios e obter a liberação de recursos bancários para custeio e investimentos agrícolas.
Segundo ele, há mais de um ano cerca de três mil famílias, já cadastradas pelo Incra, esperam por seus lotes. Além disso, afirmou, existem 2,6 mil assentamentos provisórios em áreas de 2,5 hectares cada, onde as famílias aguardam há mais de um ano e meio a transferência para lotes definitivos.
Na opinião de Rainha, as decisões políticas do presidente Fernando Henrique Cardoso e do ministro extraordinário de Política Fundiária, Raul Jungmann, têm esbarrado na burocracia dos órgãos responsáveis. O líder lembrou que há seis meses o MST decidiu aceitar um período de trégua solicitado pelo governo, mediante promessa de atendimento às suas reivindicações. ‘‘O que temos de concreto é que até agora nenhuma família foi assentada em áreas definitivas, os financiamentos já aprovados pelo Procera (Programa de Crédito Especial para a Reforma Agrária) não são liberados pelo Banco do Brasil e os fazendeiros continuam a ostentar suas armas, sem que a Polícia Federal realize a operação desarmamento anunciada há vários meses pelo ministro Jungmann’’.
Para Rainha, um dos principais burocratas é o representante do Banco do Brasil junto à comissão estadual do Procera, Luiz Antônio Cunha, responsável, em sua opinião pelos entraves que impedem a liberação de recursos bancários. ‘‘O Procera aprovou crédito de R$ 20 milhões para São Paulo este ano mas até agora o Banco do Brasil só liberou R$ 4 milhões’’, afirmou.
Entre os financiamentos que Rainha cobra está o destinado a compra, pelo MST, da Fecularia Lareina, de Sandovalina. ‘‘O processo parou por uma decisão da Justiça Federal e, até agora, o Incra não conseguiu derrubar a decisão judicial’’, disse. O líder sem-terra salientou que depois disso o ministro Jungmann esteve no Pontal para reafirmar sua disposição de financiar a compra daquela empresa ou a instalação de uma nova, mas até agora nada aconteceu. ‘‘Enquanto isto, os 1,8 mil sem-terra que plantaram mandioca à espera da indústria estão perdendo a produção por não terem para quem vender’’, afirmou.

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