José Ignácio pede "revolução fiscal"
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domingo, 21 de fevereiro de 1999
Por Neri Vitor Eich 
Brasília, 22 (AE) - O governador do Espírito Santo, José Ignácio Ferreira (PSDB), disse hoje, ao discursar na solenidade de lançamento do Pro-Info pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, em Vitória (ES), que a solução da crise atual exige a reforma do Estado e uma "revolução fiscal". José Ignácio declarou-se contrário a uma renegociação das dívidas já refinanciadas dos Estados, por causa das elevadas taxas de juros. "Mesmo que conseguissem 35% ao ano, já seria um exercício masoquista e irracional trocar os 6% ao ano em 30 anos por 35% ao ano, com prazos curtíssimos de renovação."
Segundo ele, a discussão desse tema "não vai interessar ao Espírito Santo nem deve interessar à maioria dos Estados da federação". O debate das dívidas dos Estados está previsto para o próximo dia 26, quando o presidente Fernando Henrique terá uma reunião em Brasília com a maioria dos governadores. Em referência indireta ao confronto do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), com o presidente por causa da dívida estadual mineira, José Ignácio reforçou sua "leal cooperação" com Fernando Henrique "em lugar do aventuroso enfrentamento, que não conduz a nada de positivo".
José Ignácio antecipou a posição que adotará na reunião do dia 26, à qual Itamar Franco, depois de decretar a moratória da dívida mineira, já anunciou que não comparecerá. "O Espírito Santo vai dizer que quer soluções estruturais para os seus problemas de déficit fiscal", disse. E detalhou: "O Espírito Santo quer capitalizar o seu Fundo de aposentadoria; quer discutir os critérios de ressarcimento da Lei Kandir e questões relativas ao FEF (Fundo de Estabilização Fiscal), além do financiamento do programa de saneamento das contas públicas e de gerenciamento moderno do Estado".
O governador capixaba disse que sempre viu "na patologia dos desajustes fiscais, da União e dos Estados, o maior de todos os problemas". Segundo ele, "a grande cartada do País, agora, seja na União seja nos Estados, está em fazer o ajuste fiscal: a União prosseguir com o seu, e cada Estado fazer o seu". No entender de José Ignácio, "o problema do País não é político nem econômico, mas fiscal, mas o ajuste fiscal é sempre político e exige vontade política para implementá-lo com o vigor necessário".


