Rio, 30 (AE) - O presidente nacional do PT, José Dirceu, sugeriu a intervenção da direção nacional no diretório fluminense para acabar com a crise entre o partido e o governador Anthony Garotinho (PDT). Dirceu esteve no Rio hoje para tentar resolver o problema e manifestou-se contrário à decisão do presidente do PT do Rio, deputado Carlos Santana, de que os petistas devem deixar seus cargos na administração pedetista.
A crise preocupa também o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Ela acha que o conflito ameaça a aliança com o PDT no Rio e que isso pode dar munição para os adversários que, mais tarde, podem dizer que o PT não consegue conviver com aliados. Lula acha ainda que a crise prejudica a candidatura da vice-governadora petista, Benedita da Silva, à Prefeitura do Rio.
Ao desembarcar no Rio, Dirceu afirmou que a decisão do diretório regional, de entregar os cargos do partido no governo, é "soberana", mas ressalvou que o assunto vai ser tratado ainda pela direção nacional. "Quero ouvir do Carlos Santana qual a posição que ele vai expôr ao partido no domingo", informou. "Ele já mudou três vezes de opinião", criticou.
"O PT do Rio é soberano para tomar a decisão, mas depois, teremos o diretório nacional, no sábado e domingo da semana que vem, e o congresso do PT no fim de novembro", lembrou o líder petista, ainda antes da reunião, que começou no início da tarde. "Aí, o partido, em nível nacional, vai avaliar a questão".
O presidente nacional da legenda afirmou que, por enquanto, a única posição do partido sobre a crise do Rio é ficar contrária à saída do governo de Garotinho. "O PT não é um partido de cargos", afirmou Dirceu. "Sai do governo, sim, mas quando tem uma razão programática ou ética", esclareceu. "Não é um incidente, uma expressão infeliz e grave do governador (que chamou a legenda de partido da boquinha) que vai causar isso"
avisou.
Dirceu lembrou que a convenção do PT fluminense aprovou tese favorável à manutenção do apoio do governo Garotinho, mas por causa da eleição do presidente estadual petista, foi apoiada a entrega dos cargos. "Está se criando uma crise que é ruim para o PT do Rio, para imagem do PT nacional e bom para o governo Fernando Henrique e para a direita", queixou-se o líder petista.
"O assunto no Brasil, hoje, não é mais a crise social, não é mais o desemprego, é a crise no governo Garotinho e no PT do Rio", lembrou. A oposição pode ter uma grande vitória em 2000, mas é preciso unidade, porque não temos divergência programática com o governo do Rio", afirmou, referindo-se às eleições municipais do ano que vem.
O presidente do PT fluminense afirmou, antes da reunião com Dirceu, que a legenda não vai suportar uma nova intervenção. Para Santana, o presidente de honra do partido, Luís Inácio Lula da Silva, foi "precipitado" ao afirmar que a crise entre os petistas e Garotinho teria como principal objetivo o enfraquecimento da vice-governadora à prefeitura do Rio.
O deputado estadual Chico Alencar, da corrente Refazendo
contrária à permanência do PT no governo do Rio, acusou o governador de "neopopulista messiânico" e voltou a exigir a saída de todos os petistas que integram o governo estadual. Alencar também deu a declaração antes do início da reunião dos petistas fluminenses com Dirceu. "Esperamos que o novo presidente estadual do PT (Santana) seja fiel ao que a convenção aprovou", afirmou.
Além de encontrar-se com Santana, Dirceu veio ao Rio para conversar com a vice-governadora Benedita da Silva e participar de um encontro sobre educação do PT.

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