Agricultores brasileiros residentes no Paraguai, os chamados brasiguaios, estariam sendo impedidos pela polícia paraguaia de retornar ao Brasil por suspeita de estarem envolvidos com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). A denúncia foi feita ontem pela jornalista Cássia Cortês, autora do livro ‘‘Brasiguaios: os refugiados desconhecidos’’, durante audiência pública às comissões de Direitos Humanos e a de Relações Exteriores da Câmara do Deputados.
Segundo Cássia, os policiais paraguaios, na maioria das vezes, agem patrocinados por fazendeiros brasileiros que possuem propriedades na faixa da fronteira entre o Paraguai e Mato Grosso do Sul. ‘‘Há um temor de que eles estejam voltando ao Brasil para fazer ocupações de terra’’, explica. Ela revelou ainda que muitas mulheres escondem seus filhos de 16 anos para evitar que o Exército paraguaio os force a prestar o serviço militar. ‘‘Para os brasiguaios, autoridade é sinônimo de perseguição e castigo’’.
Entre os casos de violência de direitos humanos contra brasileiros no exterior relatados na comissão, ontem, o mais chocante foi contra os dekasseguis (brasileiros que trabalham no Japão) adolescentes. Levados pelos pais, os jovens não podem frequentar escolas e vivem no ócio e, em alguns casos, acabam entrando para a marginalidade. Uma vez recolhidos aos reformatórios são obrigados a aprender a língua japonesa.
A editora do jornal Notícias do Japão, Célia Abeoi, contou aos parlamentares que o aprendizado da língua é um dos itens de avaliação do grau de ressocialização dos menores infratores.

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