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m de leitura Atualizado em 07/03/2022, 15:24

Jornalistas mulheres sofrem um ataque a cada três dias, mostra estudo

O levantamento ainda revela que 52% dos autores identificáveis por trás dos ataques eram autoridades públicas

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de março de 2022

Mônica Bergamo – Folhapress
AUTOR autor do artigo

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São Paulo - Um mapeamento feito pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) mostra que o Brasil registrou, no ano passado, um aumento de 79% no número de ataques contra mulheres jornalistas ou com viés de gênero. Ao todo, foram 119 ocorrências desse tipo - o que corresponde, em média, a um episódio de violência a cada três dias. 

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|  Foto: iStock
 

 Entre as jornalistas mais atacadas estão a apresentadora da CNN Brasil Daniela Lima, a repórter da Folha de S.Paulo Patrícia Campos Mello e a colunista do UOL Juliana Dal Piva, entre outras. 

 O levantamento ainda revela que 52% dos autores identificáveis por trás dos ataques eram autoridades públicas. Nesse segmento, os que mais agrediram mulheres jornalistas foram o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal Carlos Jordy (União-RJ), com oito ataques cada um, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o assessor especial da Presidência Tercio Arnaud Tomaz, contabilizando sete ataques cada, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (União-SP), responsável por cinco outros ataques. 

 Segundo a Abraji, 95% dos autores identificáveis dos episódios de violência eram homens, 68% das agressões se iniciaram no meio online e 60% dos casos envolveram a cobertura política. 

 Os termos mais utilizados nos insultos às profissionais fazem referência a aspectos de gênero, como "vagabunda", "puta", "fofoqueira", e a supostos vieses ideológicos das jornalistas, como "militante", "esquerdista" e "comunista". 

 "O apelo ao gênero e à sexualidade não é incidental: em sociedades com presença de valores conservadores, esse tipo de ataque é uma forma de minar a credibilidade do jornalismo profissional e de desviar a atenção do conteúdo da notícia", afirma a Abraji. 

 O mapeamento ainda mostra que 69% dos episódios de violência com mais de um agressor foram iniciados por autoridades do governo e funcionários vinculados ao Estado. E que, em mais da metade dos casos com múltiplos agressores, houve ligação entre esses agentes públicos e redes organizadas ou semi-organizadas de usuários na amplificação dos ataques. 

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 Feito com o apoio da Unesco, o relatório de monitoramento de violência de gênero contra jornalistas será divulgado pela Abraji na próxima terça-feira (8). A entidade ainda fará recomendações a organizações jornalísticas, como a oferta de assistência jurídica e de treinamento em segurança digital e investimento na moderação de conteúdos. 

 O relatório também sugere que plataformas digitais definam políticas e procedimentos mais eficazes para detectar e penalizar os infratores reincidentes.

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