Jornalistas discutem função social
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sexta-feira, 30 de maio de 2003
Emerson Dias<br> Reportagem Local 
Mais de 200 jornalistas estão participando de um encontro realizado em Londrina, onde um dos principais temas é a ''função social da reportagem''. Entre os palestrantes convidados, estão profissionais brasileiros dos Estados Unidos, juízes e procuradores de Justiça, além de representantes de entidades que acompanham o desempenho da imprensa no continente americano.
Seminário Internacional de Jornalismo Investigativo, organizado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e pelo Knight Center para o Jornalismo nas Américas, começou ontem com uma conferência realizada no auditório da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''É o momento de refletirmos melhor sobre a função social do jornalismo. Precisamos esquecer a corrida pelo ''furo'' (quando um veículo de comunicação apresenta uma reportagem inédita) e abandonar o denuncismo'', sentenciou o representante da Abraji e organizador do evento, José Maschio.
O jornalista norte-americano Dean Graber também concordou com Maschio e citou um exemplo recente onde a imprensa foi notícia internacional (a demissão de um jornalista do New York Times, acusado de ''inventar as informações das reportagens''). ''Os profissionais são pressionados dentro e fora das redações e isso prejudica a notícia. É importante lembrar que o evento é aberto para toda a comunidade na tentativa de melhorar a visão crítica dos leitores. A população precisa questionar o que não aparece no jornal'', disse Graber, que também representa a Knight Center, entidade criada na Universidade do Texas (EUA) para contribuir com a liberdade de imprensa e oferecer treinamento para os profissionais das Américas.
A presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Elizabeth Costa, também participa do evento, que prossegue hoje com diversas oficinas para os profissionais inscritos. ''Qualquer atividade jornalística em si já é investigativa, pois necessita de apuração de dados e busca de informações para falar sobre o assunto abordado. O que temos que buscar dentro das redações é melhorar a qualidade do profissional, principalmente quando o assunto é ética'', comentou Elizabeth, insistindo que as faculdades podem e devem ''oferecer o caminho certo'' para o jovem interessado na profissão. ''A vontade de fazer e a busca pelo bom trabalho dependem de cada um''.
Apesar de não haver mais espaço para novos inscritos (inicialmente eram apenas 100 vagas), os interessados poderão acompanhar o Seminário em tempo real via Internet (http://planeta.terra.com.br/noticias/investigativo/londrina/index.htm).


