Jornalistas criticam capital estrangeiro em empresas de comunicação
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de maio de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 11 (AE) - As federações nacionais dos Jornalistas (Fenaj) e dos Radialistas Profissionais e dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão (Fenart) são contrárias à abertura ao capital estrangeiro, no limite de até 30%, das empresas jornalística e de radiodifusão. Os representantes das entidades alegaram desde riscos à soberania, à redução do campo de trabalho dos profissionais brasileiros, durante audiência pública, hoje, na Comissão Especial da Câmara criada para debater proposta de emenda constitucional sobre propriedade de empresa jornalística.
Existem no Congresso, duas propostas de emenda constitucional, uma delas abrindo o mercado de comunicação ao capital estrangeiro e outra que possibilita a propriedade dessas empresas por entidades filantrópicas. A Comissão iniciou hoje uma programação de audiências públicas para debater emendas. O diretor de Relações Institucionais da Fenaj, Daniel Koslowsky Herz, disse ser contra "qualquer índice de abertura ao capital estrangeiro", especialmente, segundo ele, quando o Brasil está vulnerável e está sendo desafiado a exercer sua soberania.
Para Herz, a abertura poderia "sujeitar o controle dos sistemas de comunicação ao controle de conglomerados estrangeiros" Já o secretário-geral da Fenart, Antônio de Pádua Aranha de Araújo, a abertura poderia resultar em uma manipulação da mídia brasileira. "Além disso, quero a manutenção do mercado
que já é pequeno". Mas o deputado Fernando Gabeira (PV/RJ) alegou que a existência de salvaguardas poderia evitar problemas e ainda dar um impulso em empresas com dificuldades financeiras. O PT, por sua vez, deverá fechar posição contra as emendas.


