O jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves foi transferido, à 0h07 de ontem, da clínica psiquiátrica particular onde estava internado, na zona sudoeste de São Paulo, para o 77º Distrito Policial (Santa Cecília, no centro da cidade), onde chegou à 0h30.
Algemado, Pimenta Neves deixou a clínica em uma cadeira de rodas - com uma toalha no pescoço, jaqueta marrom e boné.
Ele foi transferido em uma perua Blazer do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa). Sessenta policiais participaram da operação.
O jornalista confessou ter assassinado a tiros sua ex-namorada e também jornalista Sandra Florentino Gomide, no último dia 20 de agosto, em Ibiúna (SP).
Pimenta Neves divide a cela com o ex-vereador Vicente Viscome, envolvido com a máfia da propina, e com o estudante Matheus da Costa Meira, o atirador do MorumbiShopping.
A delegacia é usada pela polícia para abrigar presos com curso superior ou que correriam risco em celas de cadeias normais.
Advogados de Pimenta Neves queriam adiar a transferência para ontem à noite, sob alegação de que a liminar que garantiu a internação na clínica por dez dias venceria às 19 horas, horário em que foi expedida pelo Tribunal de Justiça, e não às 24 horas de anteontem, como defendeu a Polícia Civil.
‘‘Vamos ver quem desrespeitou isso e vamos responsabilizá-lo’’, disse o advogado Roberto Podval. A defesa deve recorrer hoje ao Tribunal de Justiça para pedir um novo laudo psiquiátrico sobre o estado de Pimenta Neves.
Para isso, vão usar parecer do responsável pela clínica Parque Julieta, o médico Ivan Neves, que avaliou o jornalista ontem e atestou que ele precisava ser mantido em ambiente especializado, vigiado 24 horas. Os defensores temem que ele tente o suicídio.
O TJ permitiu que Pimenta Neves ficasse internado na clínica a partir de laudo feito pelo médico psiquiatra particular dele, Marcos Pacheco de Toledo Ferraz. A avaliação foi feita no hospital Albert Einstein, onde ele ficou internado depois de ingerir um coquetel de tranquilizantes.
O laudo oficial do Instituto de Medicina Social e Criminológica (Imesc), com o mesmo diagnóstico do psiquiatra particular, atestou evolução no caso e liberou o jornalista para a transferência à cadeia. A prisão preventiva de Pimenta Neves foi decretada no dia 28, no mesmo dia em que foi aceita a denúncia contra dele.
Os advogados do jornalista querem que ele receba tratamento até que se esclareça a divergência sobre os laudos.

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