Jornalista oposicionista é morto em Belgrado
Belgrado, 11 (AE-REUTERS) - Um dos principais opositores do regime do presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, o jornalista Slavko Curuvija, foi assassinado a tiros hoje (11) diante do prédio de apartamentos onde morava em Belgrado.
"Desconhecidos fizeram vários disparos contra ele", confirmou a polícia sérvia, garantindo que "iniciou ampla investigação para identificar e prender os responsáveis". Curuvija era proprietário do jornal Dnevni Telegraf, um dos mais respeitados diários independentes da capital iugoslava que, por desafiar os governos sérvio e federal (iugoslavo), vinha sendo vigiado de perto pela polícia local desde o agravamento da crise com os bombardeios da Otan.
As primeiras informações sobre o assassinato de Curuvija partiram de seus colegas, que telefomaram para as agências internacionais. "Podemos confirmar que o mataram", disse um deles à Reuters, pedindo para não ser identificado.
Testemunhas disseram que o jornalista saiu de seu apartamento com uma mulher, quando foi abordado por dois homens. Um deles agrediu a mulher com o cabo da arma, enquanto o outro atirava em Curuvija, que morreu instantaneamente.
"Logo chegaram policiais, que cobriram o corpo com um lençol", acrescentou uma das testemunhas, que, como os colegas do jornalistas, falaram com condição de não revelar seus nomes.
As autoridades sérvias controlam todos os meios de comunicação e fecharam a rádio independente B-92, que acusaram de distorcer os fatos. Os proprietários da emissora vinham burlando a fiscalização sérvia, transmitindo boletins diários sobre a situação no país via Internet.
Também a imprensa internacional sofre restrições. Muitos correspondentes estrangeiros, entre os quais dois espanhóis, foram expulsos do país. E os componentes de uma emissora de televisão alemã ficaram várias horas detidos num posto policial sérvio em Montenegro.
Outro opositor do regime, o líder albanês étnico moderado Ibrahim Rugova, é mantido em "prisão domiciliar" na casa dele em Pristina (capital de Kosovo).
A denúncia partiu de Sabedin Hilili, cunhado do dirigente albanês étnico, que se encontra no campo de refugiados de Stenkovec- Brazda, na Macedônia.
"Há policiais sérvios por toda parte, dentro e fora da casa de Rugova", acrescentou Haliti em entrevista a uma jornalista espanhola da rádio Cadena Ser, desmentindo as autoridades de Belgrado, que dizem ter iniciados negociações com ele para a formação de um governo autônomo em Kosovo. "Rugova tem sete filhos pequenos e está sendo chantegeado."





