Jornalista Jota Oliveira morre aos 79 anos em Londrina


Viviani Costa - Grupo Folha
Viviani Costa - Grupo Folha

Jornalista Jota Oliveira morre aos 79 anos em Londrina
Gustavo Carneiro/Grupo Folha
 

O jornalista e escritor Jota Oliveira faleceu na madrugada desta quinta-feira (2), em Londrina. O profissional incansável, como descreve a filha Ione Vasconcellos, trabalhou por 37 anos na Folha de Londrina e, atualmente, era integrante do Conselho de Ética do Sindijor Norte PR (Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná).


Jota Oliveira trabalhou por 37 anos na Folha de Londrina
Jota Oliveira trabalhou por 37 anos na Folha de Londrina | Acervo pessoal
 


O interesse pela comunicação começou ainda na adolescência. Das notícias anunciadas por ele com a ajuda de um alto falante na cidade de Rancharia, interior de São Paulo, José Oliveira Santos tornou-se referência entre os profissionais do jornalismo. Nascido em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, Oliveira iniciou a carreira no rádio em uma emissora de Bela Vista do Paraíso, na Região Metropolitana de Londrina, cidade em que conheceu a esposa Adélia ainda no colégio.




Já em Londrina, a paixão pela profissão trouxe um grande amigo, o também jornalista Widson Schwartz. “Ele era um amigo de verdade. Ele se preocupava muito em cuidar dos mais próximos. Nos conhecemos em 1962. Ele trabalhava na rádio Cruzeiro do Sul e eu na Difusora Paraná. Ele se casou antes de mim. Nossos filhos se conheceram. Nossas famílias se frequentavam. Foi um grande redator, um grande repórter”, lamentou Schwartz. Os dois trabalharam juntos na Folha de Londrina nas décadas de 1970 e 1980.


Jota Oliveira durante reportagem para a Folha de Londrina
Jota Oliveira durante reportagem para a Folha de Londrina | Acervo pessoal
 


Oliveira também foi repórter no jornal Última Hora e correspondente da Folha de São Paulo. “O Jota, às vezes, era muito crítico. Era até meio explosivo, mas sempre em busca de esclarecer os fatos. Ele era muito competente. Quando Londrina estava no auge da economia, muitos ministros, políticos e autoridades vinham para cá. Ele tinha uma tática de interromper a entrevista para esclarecer os fatos e isso abria espaço para que todos os jornalistas pudessem esclarecer também. Ele sempre teve disposição para contribuir para o profissionalismo dos colegas”, explicou.


Na Folha de Londrina, Oliveira atuou como repórter e editor da Folha Rural. Os anos de dedicação resultaram no livro “História do Campo – Coleção Crônicas de Londrina”, lançado em 2001. As obras “Transplante – Experiência de Renascer”, em 2004, e “Cinquenta Anos de Jornalismo – Passado, Presente e Futuro – Digital começa a substituir o papel”, em 2012, também fazem parte do legado como escritor.


Livro lançado em 2012
Livro lançado em 2012 | Acervo pessoal
 


“Jota tinha o bordão: ‘Junte-se aos bons para corrompê-los’. Ele dizia isso, principalmente, quando alguém chegava atrasado em uma reunião de trabalho e dizia no bar, confraternizando com os amigos. Era bem humorado, extremamente disciplinado e exigente. Tinha muita sensibilidade para registrar os fatos”, comentou o jornalista e amigo José Maschio, também integrante do Conselho de Ética do sindicato da categoria. Segundo ele, Oliveira possuía uma série de contos inéditos reunidos para um próximo livro.


“Perdemos um grande profissional, um amigo muito querido. Ele era um profissional muito respeitado no Paraná e no Brasil. Sempre muito concentrado nas matérias que fazia. Foi um dos que ampliaram horizontes e fronteiras para outros jornalistas. Sempre se posicionava e era muito consciente sobre todas as coisas. Fazia crônicas, matérias de outras áreas. Superou muitos problemas de saúde e tinha uma força muito grande”, relatou a editora do caderno Folha2 da Folha de Londrina, Célia Musilli.


O transplante de fígado, em 2003, e outros desafios pessoais foram superados um a um. Nos últimos anos, Oliveira foi diagnosticado com enfisema pulmonar. Mas a dor da perda de dois filhos no primeiro semestre deste ano causaram um vazio irreparável, como relatou a filha Ione.


“Ele foi um pai muito dedicado, amoroso e preocupado com os filhos. Ultimamente estava muito triste por conta dessa situação. No último domingo, ele me pediu para passear. Fomos de carro pelo Jardim Botânico, pelo Igapó. Não descemos do carro por causa da pandemia, mas ele ficou feliz. Quando a gente era criança, meu pai gostava de levar a gente para ver a cidade se expandindo. Depois se tornou cidadão honorário de Londrina”, recordou Ione.


Oliveira teve uma parada cardíaca na madrugada desta quinta-feira. Além da esposa e da filha, ele deixou cinco netos. Nas conversas com a neta Ana Luiza que segue os passos do avô, ele transmitia as lições do jornalismo. “O jornalista tem que checar os fatos, tem que ir direto na fonte”, reforçava.


O Sindijor Norte PR publicou nota de pesar em que ressaltou a importância do jornalista também no cenário nacional e decretou luto oficial por três dias. O velório será no cemitério Parque das Allamandas, a partir das 15 horas. Haverá restrições na entrada para evitar aglomerações. O sepultamento está marcado para às 17 horas.




Confira depoimento de Jota Oliveira na reportagem especial transmídia sobre os 70 anos da Folha de Londrina:

https://www.folhadelondrina.com.br/transmidia/folha-de-londrina-2958739e.html

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