Jornalista foi executado a facadas com outros 26 presos11/Mar, 12:58 Santiago, 11 (AE) - Carmen Hertz foi a primeira pessoa a denunciar um militar chileno pelo caso da "caravana da morte". Em agosto de 1973, o marido dela, Carlos Berger, jornalista e advogado, tinha-se mudado para a localidade de Calama, norte do país, onde assumira a chefia do departamento de comunicação de uma empresa de cobre. Antes, havia sido chefe do gabinete do Ministério da Fazenda no governo de Salvador Allende. Um mês depois, quando Augusto Pinochet bombardeava La Moneda, Berger dirigiu-se a uma estação de rádio local e passou a transmitir boletins ao vivo sobre o golpe. Não parou nem depois de receber ordens de encerrar as transmissões. Horas depois, a rádio foi ocupada, Berger foi preso e condenado por um conselho de guerra a 60 dias de prisão. Quando cumpria a pena, foi levado com outros 26 prisioneiros políticos para as cercanias da cidade, onde foram todos mortos. "Digo que foram massacrados porque não tiveram nem o privilégio de ser fuzilados", diz Carmen. "Foram mortos com facas militares, pois esse era o método utilizado pela 'caravana', numa carnificina que durou muito tempo." Os corpos nunca apareceram. Depois do desaparecimento do marido, Carmen partiu para o exílio com o filho e retornou ao Chile no começo dos anos 80. Tornou-se advogada de grupos de direitos humanos e entrou, em 1984 - em plena ditadura -, com uma ação criminal contra Sergio Arellano Stark, acusado de liderar a "caravana da morte". Arellano foi anistiado em seguida, mas o processo teve grande impacto público. Hoje, Carmen é uma das promotoras do processo que tenta responsabilizar também Pinochet pela "caravana da morte". Indiciado pelos assassinatos, Arellano aguarda julgamento em liberdade. Ela, porém, não está tão otimista em relação ao atual processo contra Pinochet. "Infelizmente, as condições políticas não são as melhores", diz Carmen Hertz. "Se o Exército foi capaz de fazer uma demonstração de força na chegada de Pinochet, imagine-se o que poderia fazer se ele for submetido a julgamento", pergunta. "Tenho muitas dúvidas sobre se esse processo poderá chegar ao fim tranquilamente." (R.L.)