São Paulo- O repórter Guilherme Portanova, 30, da TV Globo, relatou ontem à polícia que esteve em três cativeiros nas quase 41 horas em que ficou sequestrado. Ele também relatou que permaneceu encapuzado durante todo o tempo. Sequestrado às 7h50 de sábado junto com o auxiliar técnico Alexandre Coelho Calado -que foi solto na noite de sábado-, Portanova foi liberado por volta da 0h30 de ontem. Ele relatou que os criminosos só repetiam que queriam que suas reivindicações fossem transmitidas pela TV Globo.
O jornalista afirmou que não foi agredido. ''Mas, se as reivindicações não estivessem no ar, eles diziam que poderiam tomar outras medidas'', afirmou o repórter, duas horas e meia depois de ter sido deixado próximo ao hospital Albert Einstein, zona oeste de São Paulo. Ele foi levado pelos sequestradores no banco de trás de um carro, com a cabeça abaixada. Logo que foi libertado, Portanova encontrou funcionários do hospital, que o ajudaram a contatar seus pais e a Globo.
O jornalista foi levado de carona até a sede da emissora em São Paulo, no Brooklin. Ele chegou sem camisa, porque levou muitas picadas de mosquito durante o sequestro e estava incomodado com a roupa.
Na sede da Globo, Portanova prestou depoimento a policiais civis. Logo depois, apareceu no estacionamento da emissora e falou por cerca de cinco minutos com os jornalistas. ''Estou legal, bem de sa© úde. Ninguém me agrediu, fui alimentado esse tempo todo.'' Ele foi libertado logo após o Fantástico. ''Eles sentiram que tinham completado o serviço.''
Ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo não pode se ''intimidar'', porque se permitir que ''a moda pegue'', o Estado ''se colocará derrotado''. O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) disse que sequestro mediante a exigência ''é uma das armas que o crime organizado tem para atuar dentro dessa ordem''.

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