Jornalista denuncia trem da alegria e desaparece
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de março de 1997
Da Redação 
A Federação Nacional dos Jornalistas Profissionais (Fenaj), encaminhou ontem documento ao ministro da Justiça, Nelson Jobim, alertando sobre o desaparecimento do jornalista Cláudio Antonio Alcântara, 31 anos, ocorrido no início da noite de terça-feira em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Há cerca de um mês, segundo a nota da federação, o jornalista foi ameaçado de morte por causa de reportagens publicadas no jornal Diário do Vale, denunciando a existência de um trem da alegria na Câmara de Vereadores de Volta Redonda.
De acordo com o documento, a ameaça partiu de três homens, não identificados pela federação. A entidade teria, inclusive, registrado uma agressão ao jornalista, que partiu de um desses homens.
Na nota, a Fenaj informa que o Diário do Vale já havia tomado medidas para a segurança do jornalista. O desaparecimento teria ocorrido às 19h45. Cláudio Alcântara deixou a Câmara de Vereadores por um breve momento, deixando inclusive a sua agenda, mas desde então não foi mais visto. Preocupados, a direção do jornal e seus colegas de redação o procuraram sem sucesso em casa e nos locais que costumava frequentar, diz a nota.
O desaparecimento do jornalista foi comunicado ao Secretário de Segurança Pública do Rio, Nilton Cerqueira mas, segundo a Fenaj, a polícia também não conseguiu localizar Alcântara.
No documento, assinado pelo presidente da federação, Américo Antunes, a entidade pede providências ao ministro Nelson Jobim e a apuração rigorosa do desaparecimento do jornalista. Para Antunes, as evidências apontam para mais uma violação aos direitos humanos e um crime contra a liberdade de imprensa.


