Moscou, 28 (AE-ANSA) - O diário russo Kommersant vinculou hoje (28) a visita ao Cáucaso do subsecretário de Estado americano Strobe Talbott às quase simultâneas mudanças no governo do Azerbaijão e ao sangrento assalto ao Parlamento da Armênia ocorrido ontem.
O diário recordou que Talbott - que já se encontra em Moscou e nesta sexta-feira se encontrará com o chanceler russo, Igor Ivanov - acaba de concluir rápidas visitas a Baku e Erivan, e que na capital armena se reuniu com o primeiro-ministro Wasgen Sarksyan poucas horas antes de ele ser assassinado.
Segundo o Kommersant, um diário geralmente bem informado, Talbott fez duras pressões para que Baku e Erivan chegassem a um acordo sobre Nagorno-Karabakh, um enclave armeno em território azeri que foi cenário de violentos choques entre os dois países.
O conflito em Nagorno-Karabakh é um dos muitos fatores de desestabilização da região, onde os Estados Unidos têm "interesses estratégicos" vinculados aos grandes campos petrolíferos do mar Cáspio.
Um acordo abriria a possibilidade de obtenção de grandes lucros em um dos grandes negócios do próximo milênio.
As pressões de Talbott - segundo o diário russo - poderiam ter causado a reação das forças mais nacionalistas nos dois países, que temem uma "traição" a seus interesses.
Esse seria um dos motivos - para o jornal russo - das repentinas mudanças registradas nos últimos dias no governo azeri, entre elas a exoneração do chanceler Tofik Zulfugarov, e talvez do assalto de nacionalistas extremistas ao Parlamento da Armênia.
Os cinco integrantes do comando armado que entrou com toda facilidade na Câmara dos Deputados poderiam ter atuado por ordem e sob a proteção de influentes círculos políticos de Erivan.
Para o Kommersant, Talbott pediria agora a ajuda da Rússia - com forte influência sobre seus tradicionais aliados armenos - para evitar o "caos" na região do Cáucaso e para conseguir um compromisso sobre Nagorno-Karabakh entre a Armênia e o Arzebaijão, duas ex- repúblicas soviéticas.
Em troca da colaboração, escreveu o diário, os Estados Unidos poderiam dar luz verde, ou mesmo ajudar secretamente Moscou em suas operações na Chechênia, até agora duramente criticadas.

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