Jornal publica o que seriam trechos das memórias de Eichmann
Jerusalém, 11 (AE-AP) - Um jornal israelense publicou hoje (11) o que seriam trechos das memórias do cárcere de Adolf Eichmann nos quais o condenado criminoso de guerra nazista defende que não odiava judeus e nunca acreditou na teoria racial nazista.
As memórias estão trancadas nos arquivos nacionais de Israel desde a execução de Eichmann em 1962. O diário Yediot Ahronot publicou que 20 anos atrás, recebeu uma sinopse manuscrita dos escritos de Eichmann, com trechos traduzidos para o hebreu, de uma fonte que o jornal negou-se a identificar.
O diário republicou os trechos hoje, um dia depois que o Ministério da Justiça de Israel anunciou que iria entregar todo o texto para um instituto de pesquisa alemão para publicação.
Tom Segev, um destacado escritor israelense sobre o Holocausto
disse que não é possível determinar se a sinopse era correta ou genuína.
"O fato é que o manuscrito ainda não foi publicado, assim os trechos não podem ser comparados com o original", afirmou ele.
Eichmann orquestrou o Holocausto no qual 6 milhões de judeus europeus pereceram. Ele fiscalizou a deportação de milhões de judeus para campos de concentração e promoveu o uso de câmaras de gás para matá-los.
Mas nos trechos publicados hoje, ele garantia que não odiava judeus e que estava incomodado com os campos da morte. "Quando fui ver os campos da morte meu único consolo foi uma garrafa", escreveu.
Eichmann teria dito nunca ter acreditado na teoria racial nazista.
"Política é um prostíbulo", escreveu. "O nacionalismo é o maior inimigo da humanidade".
No seu julgamento, ele manteve que era um oficial de nível médio sem poderes executivos e que apenas cumpria ordens de Adolf Hitler.
Este tema também perpassa as memórias do cárcere, segundo dois historiadores israelenses que estavam entre as poucas pessoas que leram o original.
Depois da Segunda Guerra Mundial, Eichmann escapou para a América do Sul, mas em 1960 ele foi sequestrado em Buenos Aires por agentes israelenses, que o contrabandearam para fora do país e o levaram para Israel.
Eichmann escreveu as memórias em 1961 e 1962, durante seu julgamento. David Ben-Gurion, então primeiro-ministro, ordenou que as 1.300 páginas manuscritas fossem trancadas nos arquivos estatais.
Um dos filhos de Eichmann, Dieter, defende que o diário é de sua propriedade, mas uma autoridade do Ministério da Justiça de Israel, pedindo para não ser identificado, disse que os herdeiros irão receber o manuscrito apenas depois que ele for publicado.
Segev tem feito uma campanha pela divulgação do manuscrito para o público em geral.





