Jornal publica conversa mostrando conexão do crime no Paraná.
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de novembro de 1999
Por Dimitri do Valle (especial para a AE) 
Curitiba, 14 (AE) - Conversas obtidas por meio de grampos telefônicos reforçam a tese de que o Paraná é uma das principais bases de operações do traficante carioca Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Nas conversas, publicadas na edição de hoje do jornal "Folha do Paraná", o traficante discute com integrantes de seu grupo em Curitiba a chegada a São Paulo de carregamentos de cocaína, maconha e crack. As drogas sairiam de uma fazenda da cidade paraguaia de Capitão Bado e seriam jogadas de avião na região do município paulista de Atibaia.
Jaime Amato, que seria um dos homens de confiança de Fernandinho Beira-Mar, aparece em várias gravações negociando com o traficante os esquemas de transporte das drogas. A base de operações de Amato ficava no bairro Fazendinha, na periferia de Curitiba. Ele está desaparecido da capital paranaense há duas semanas, quando a CPI do Narcotráfico soube das conexões do crime organizado no Estado.
Em outra conversa, Amato e Fernandinho tratam da abertura de uma conta nas Ilhas Cayman, um paraíso fiscal do Caribe. O doleiro libanês Khaled Nawaf Aragi é citado em outro contato entre os dois. Aragi é acusado de lavar o dinheiro que Beira-mar obtém com o narcotráfico.
O deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT-PR) disse que as gravações evidenciam que o Paraná faz parte da rota do tráfico internacional de drogas. "O material reforça a tese de que o Estado está na conexão. Todo mundo sempre soube que o Paraná era uma conexão importante. Só faltou investigação, observou.


