Estocolmo (AE-AP) - O jornal Metro era apenas uma idéia cinco anos atrás. Agora, o chamativo tablóide gratuito diário é uma necessidade de leitura para centenas de milhares de habitantes na cidade em que nasceu, Estocolmo, e edições em outras línguas são impressas em seis outras cidades da Europa. Há planos para o início de edições nos EUA, América do Sul e ásia. "Nosso objetivo é dar início às publicações no maior número possível de cidades no menor tempo possível", diz o editor-chefe do Metro, Sakari Pitkanen.
Numa época em que muitos jornais estão enfrentando o declínio do público leitor e dos rendimentos devido à competição com a televisão, rádio e Internet, o Metro está atraindo leitores com um perspicaz formato de matérias curtas e gráficos coloridos. Muitos dos seus artigos são compostos por apenas um parágrafo, alguns são de apenas uma linha.
"Você tem a impressão de saber o que está acontecendo sem ter que escavar muito fundo", disse Ulla Stenfors, que lê o Metro todos os dias no metrô enquanto vai para o trabalho. Trezentos e oitenta mil cópias são impressas diariamente na Suécia, 130 mil em Helsinque, na Finlândia, e 250 mil nos Países Baixos. O jornal também é publicado em Praga, República Checa, e em Budapeste, na Hungria. Os editores planejam avançar em breve para a Filadélfia e para Santiago, no Chile. Uma edição em inglês chegará às ruas de Newcastle, região nordeste da Inglaterra, no início do próximo ano, afirma o chefe executivo e publicações, Pelle Toernberg. Um edição suíça é prometida para a cidade de Zurique na primeira metade do próximo ano.
Martin Blair, chefe financeiro da Metro Internacional, disse que o grupo também está considerando as cidades de Nova York, Chicago, São Francisco, Boston, Cingapura, Hong Kong, Pequim e Sidney, Austrália, para futuras edições.
Ainda é incerto se a fórmula do Metro pode obter sucesso em qualquer lugar, considerando-se que muitos jornais antigos deixaram de existir e poucos dos novos conseguiram estabelecer-se. Mas Constantine Kamaras, da Associação Mundial de Jornais, acredita que o Metro pode ter boas possibilidades. "Eles certamente provaram que têm um forte senso de oportunidade, disse ele. "De qualquer forma, talvez agora os jornais estejam se tornando mais preocupados e devem se adaptar para defender seus territórios".
Em Londres, por exemplo, a Associated Newspapers lançou seu próprio jornal diário gratuito chamado Metro. Nos Países Baixos, o peso-pesado De Telegraaf lançou sua própria versão não paga após o Metro começar com sua edição no local.
O Metro funciona melhor em cidades onde o transporte público é mais bem desenvolvido, diz Kamaras. Mas grandes jornais com forte cobertura local podem atrapalhar e limitar o sucesso econômico do Metro, disse ele.
O tablóide conta somente com anúncios para ganhar dinheiro. A edição de Estocolmo é cheia de classificados. Os custos são mantidos baixos com o uso da mais moderna tecnologia de produção e a manutenção de uma equipe de trabalho pequena. A distribuição do jornal é simples: grandes fardos são deixados em locais movimentados como estações de metrô, desembarque de balsas e terminais de ônibus.
Cerca de seis a cada 10 habitantes de Estocolmo lêem o Metro pelos menos duas vezes por semana, de acordo com uma recente pesquisa. Em Goteborg, a segunda maior cidade da Suécia, onde ele foi lançado no ano passado, três em cada 10 pessoas lêem o jornal com as mesma periodicidade. Metade dos leitores de Goteborg têm menos de 30 anos, um invejável grupo que é comprovadamente difícil de ser alcançado pelos jornais tradicionais.
A pesquisa também demonstrou que os jornais tradicionais não perderam muitos leitores para o Metro. Ao invés disso, seus leitores lêem o jornal distribuído gratuitamente como um complemento. Para Ingela Wadbring, pesquisadora sobre mídia da Universidade de Goteborg, o Metro fortalece o mercado de jornais ao trazer novos leitores. "As pessoas que não tinham o hábito de ler os jornais de manhã começaram a ler o Metro", disse ela. Imigrantes, jovens e pessoas com baixo poder aquisitivo lêem quase que exclusivamente o diário. Nas áreas menos ricas de Estocolmo, onde a leitura de jornais é tradicionalmente baixa, o público leitor é agora praticamente tão alta quanto o restante da Suécia, 75%, diz Wadbring.
Ao contrário de seus competidores locais, o formato do Metro coloca notícias nacionais e internacionais à frente das locais.
"A geografia não importa. Nós sabemos o que vai na cabeça dos nossos leitores", diz Pitkanen. "Trata-se de um resumo eficiente e rápido dos eventos mais importantes e é isso o que as pessoas querem". As versões em todas as cidades têm as mesma aparência: um layout simples com muitos gráficos, que, Pitkanen argumenta, são atrativos aos leitores.
Mas, enquanto ele sente que esta aproximação pode ser bem sucedida em vários países, não acredita que a expansão do Metro possa ser um perigo aos competidores. "Mesmo se houver um jornal chamado Metro em cada país, haverá muitos mais cujo nome não é Metro", finaliza.

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