Rio, 06 (AE) - O "Jornal dos Sports" foi vendido hoje para a fazendeira e empresária Jacqueline Thomé, que tem negócios no Rio e na Zona da Mata Mineira. A notícia foi confirmada pelo diretor-adminsitrativo da empresa, Luiz Augusto Veloso, sobrinho do antigo proprietário, Venâncio Pereira Veloso. A empresária comprou não só o título do jornal, mas também a gráfica e a empresa que os administra, assumindo o passivo, que não foi revelado. O preço de venda também não foi divulgado. O jornalista Milton Coelho da Graça assumiu hoje mesmo o cargo de diretor-superintendente do jornal.
Segundo Graça, a empresa vai passar por um período de emergência de 90 dias, em que serão atacadas questões mais urgentes, como a atualização da folha de pagamento e do equipamento tecnológico e a renegociação do passivo da empresa com os credores. Ele disse que, na reformulação, não está previsto o enxugamento do quadro de funcionários, atualmente formado por 188 profissionais, entre redação, administração e oficinas. "Vamos fazer o Jornal dos Sports voltar a ser um veículo forte e importante, ocupando de novo seu lugar na grande imprensa", disse ele.
Fundado em 1931 por Mário Filho, irmão do dramaturgo Nelson Rodrigues e homenageado dando o nome oficial do estádio do Maracanã, o "Jornal dos Sports" foi vendido, em 1981, à família Velloso, que foi proprietária também das Casas da Banha e da rede de lojas de automóveis Gatão Veículos. Atualmente, a tiragem varia entre 35 mil e 50 mil exemplares, "dependendo dos resultados dos jogos da véspera", de acordo com Augusto Velloso.
Há cerca de três anos anos, a empresa começou a enfrentar dificuldades financeiras, não por queda na vendagem, mas porque outros jornais, como a "Gazeta Mercantil" e o "Balcão", que deixaram de ser impressos nas gráfica da companhia. Há um ano, Venâncio Pereira Velloso vinha buscando uma solução para a empresa, mas as negociações com Jacqueline duraram só dois meses. Ela não é do ramo da comunicação, mas um dos tios dela, José Rezende Peres, foi colunista do jornal "O Globo" e secretário de Agricultura (assunto sobre o qual escrevia) do Estado do Rio, logo após a fusão com o Estado da Guanabara.

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