Cidade do México, 28 (AE) - Os jornais mexicanos dedicaram hoje pouco espaço à visita do presidente Fernando Henrique Cardoso ao país, onde ele participa hoje à noite, na Cidade do México, da 13ª Reunião do Grupo do Rio, que servirá para preparar um outro encontro, a ser realizado no fim de junho
no Rio, com representantes da América Latina e União Européia (UE). Mas o destaque é para a baixa popularidade e a reprodução de denúncias do envolvimento dele com o processo de privatização da empresa Telecomunicações Brasileiras (Telebrás).
No jornal "El Mundo", o título da matéria publicada é: "Cai a popularidade de Cardoso por causa das suspeitas sobre privatização". No texto, é citada a defesa que Fernando Henrique fez do governo, no discurso de ontem (27). A reportagem diz que ele não admite ser comparado ao ex-presidente Fernando Collor de Mello e afirma ainda que este novo escândalo agravou a deteriorada popularidade. O "El Universal", por sua vez, também fala sobre os grampos telefônicos e informa que o governo brasileiro está atrás de uma pista de quem instalou escutas e gravou conversas comprometedoras do presidente.
Na pauta da reunião, que se estenderá até a domingo (30) à noite, está a discussão de mecanismos de proteção do sistema financeiro internacional. Nos encontros deste fim de semana, no entanto, não deverão ser tomadas importantes decisões, uma vez que o- Ministério das Relações Exteriores mexicano informa que a reunião será de "pouco papel e pouca tinta".
Os jornais não dedicam qualquer espaço, no entanto, à primeira-dama Ruth Cardoso, que está na Cidade do México desde sábado (22), participando de uma extensa programação. Hoje, ela integrou-se à comitiva. Na semana que passou no México, Ruth participou de reuniões de trabalho com representantes do Fomento Social do Banco Nacional do México e visitou a sede Programa de Desenvolvimento Integral da Família, onde discutiu a política de assistência social do país. Compareceu ainda à inauguração da Mostra Panorama do Cinema Brasileiro, onde foi exibido o filme "O Quatrilho" e fez palestras sobre a situação atual da mulher brasileira. Ela não quis comentar, no entanto, os novos problemas enfrentados pelo presidente no Brasil. Fernando Henrique, que havia pensado em reduzir a participação na reunião do Grupo do Rio, para regressar ao Brasil na tarde de amanhã (29), antes de embarcar, na manhã de hoje, decidiu adiar a volta apenas para domingo (30) pela manhã, dormindo mais uma noite na Cidade do México.
No encontro que se iniciou hoje, a ênfase será a discussão sobre o sistema financeiro internacional. Segundo o embaixador Castro Neves, um dos representantes brasileiro no encontro, os integrantes do Grupo do Rio deverão redigir um documento, seguindo as sugestões apresentadas pelo presidente norte-americano Bill Clinton, de que seja pensada uma nova arquitetura do sistema financeiro. Com isso, será discutida a uniformização dos sistemas bancários, uma maior cooperação entre os bancos centrais, uma forma de existir maior liquidez para o Fundo Monetário Internacional (FMI) liberar recursos em caso de ataques especulativos e uma maior transparência nos movimentos internacionais de capitais.
A reunião deste fim de semana servirá também para preparar dois outros encontro marcados para o fim de junho, no Rio. O primeiro, será no dia 28, com representantes do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul) e da UE, quando se tentará lançar a criação de uma futura área de livre comércio. O Mercosul é responsável por 55% do comércio e investimentos da UE na América Latina - desse total, o Brasil responde com mais de 50%. Este comércio do Brasil com os europeus é tão intenso que a maior concentração de indústrias alemãs não está naquele país e sim em São Paulo. Por causa desse encontro preliminar, a reunião seguinte, que incluirá os países do Caribe e do restante da América Latina, acabará esvaziada.

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