Jornais espanhóis dizem que detenção de Pinochet não foi em vão3/Mar, 12:43 Madri, 03 (AE-AP) - O general chileno Augusto Pinochet pode ter escapado de um julgamento na Espanha, mas sua detenção de 503 dias na Grã-Bretanha não foi inútil e agora cabe ao Chile decidir o que fazer com o ex-ditador, escreveram hoje (03) jornais espanhóis. "Pinochet retorna, mas é acusado de uma repressão que custou a vida de 3.000 pessoas", afirma em editorial o diário La Vanguardia, de Barcelona. "Com esse pano de fundo, a euforia de seus partidários é auto-enganosa," acrescentou. Pinochet foi libertado ontem pela Grã-Bretanha depois de permanecer 16 meses detido em vista de uma ordem de prisão emitida pelo juiz espanhol Baltasar Garzón, que buscava sua extradição para processá-lo na Espanha por suposta responsabilidade em violações dos direitos humanos. Segundo um grupo de médicos, Pinochet encontra-se mentalmente incapaz para ser julgado. "Os que se opuseram a que Pinochet fosse julgado fora do Chile têm agora a oportunidade de fazer justiça em seu país", publicou o La Vanguardia. O diário assinalou que "o Chile não é o mesmo país que Pinochet deixou em 1998... O fato de terem entrado no Chile com 60 demandas contra Pinochet é o melhor exemplo de como o país mudou". O jornal El País concorda que "Pinochet retorna ao Chile física, moralmente e judicialmente derrotado. "Mas os 503 dias de prisão domiciliar em Londres não foram em vão", opinou em editorial. "O mundo de hoje é um pouco mais justo que quando Pinochet foi detido... foi criada uma jurisprudência que põe fim a crimonosos de sua classe". Os editoriais refletem críticas feitas à decisão britânica por grupos de direitos humanos e partidos políticos espanhóis, com exceção do governista centro-direitista Partido Popular. O diário conservador La Razón também lamentou a decisão britânica e escreveu que agora quem tem de julgar Pinochet é o Chile, que não aceitou um processo judicial na Europa alegando que tratava-se de uma questão interna do país. "O queriam, agora o têm", escreveu o La Razón.