Paris, 26 (AE) - O presidente francês, Jacques Chirac, deverá visitar no sábado o porta-aviões Charles De Gaulle, considerado até aqui o mais moderno de todo o mundo, a maravilha da indústria naval francesa, alvo da curiosidade dos mais conhecidos serviços de espionagem do planeta. Aos poucos, entretanto, constata-se que o Charles De Gaulle poderá constituir-se numa espécie de Belo Antonio, majestoso, bonito, mas que não funciona bem, tendo sido obrigado a regressar duas vezes a seu porto de construção, em Brest, na Bretanha, por repetidas falhas durante saídas experimentais.
Às vésperas da visita presidencial, jornais franceses estão divulgando dados de um documento secreto denunciando "o escândalo do Charles De Gaulle".
A pista de decolagem do porta-aviões é muito curta para aviões modernos do tipo Rafale que deverão equipá-lo. Depois de pronto, os técnicos descobriram ser preciso acrescentar mais 4 metros de pista. Mas esse não é o único problema. Depois de uma certa velocidade, começam a ocorrer vibrações que dificultam sua dirigibilidade. As autoridades concluíram que os reparos custarão mais US$ 100 milhões, acréscimo importante no preço final de construção: US$ 10 bilhões com todos os equipamentos e armamentos.
Outras avarias importantes foram constatadas, como a de seus dois reatores nucleares, que apresentaram sinais de radioatividade preocupantes. Sua entrada em operação tem sido adiada. Agora, já se fala da necessidade de mais 24 semanas para os reparos e o porta- aviões só estará pronto para operação em março de 2000. Os engenheiros responsáveis têm procurado explicar que, como se trata de um modelo único, é normal que alguns equipamentos apresentem problemas. O Charles De Gaulle já tem programada uma revisão entre os anos 2004 e 2005.

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