Washington, 26 (AE-ANSA) - O escândalo da lavagem de dinheiro russo assumiu hoje (26) uma dimensão maaior nos Estados Unidos depois que o USA Today envolveu o presidente Boris Yeltsin e o The Wall Street Journal (WSJ) apontou para o vice-presidente Al Gore.
Em resposta às reportagens publicadas hoje por esses dois jornais americanos, o presidente da comissão bancária da Câmara, o deputado republicano Jim Leach, anunciou a abertura de uma investigação parlamentar que, partindo dos bancos americanos envolvidos, poderia levar à revisão do apoio da administração Bill Clinton a Yeltsin e aos programas do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Segundo o WSJ, que não chegou a acusar especificamente Gore, o vice-presidente - o mais forte pré-candidato do Partido Democrata às eleições presidenciais do ano que vem nos EUA - poderá ter sua imagem arranhada pelo escândalo da máfia russa, já que é o principal interlocutor da Casa Branca com o governo da Rússia.
Gore e o primeiro-ministro russo, o ex-chefe da KGB Vladimir Putin, presidem a comissão bilateral EUA-Rússia. O jornal avalia que o vice-presidente será um alvo fácil de críticas da oposição na campanha eleitoral, ora por negligência por não ter atacado a questão da corrupção na Rússia, ora por omissão, caso alegue desconhecimento da dimensão do problema.
O pré-candidato republicano Steve Forbes já adiantou que "as políticas de Gore não puderam mitigar o desastre e permitiram que se acumulassem milhões de dólares nas mãos de cleptomaníacos".
Para The Wall Street Journal, o segundo afetado será o Fundo Monetário Internacional (FMI), por causa da suspeita de que US$ 200 milhões em créditos à Rússia tenham acabado nas mãos de altos funcionários do Kremlin e mafiosos. Analistas políticos prevêem que o Tesouro americano terá muita dificuldade em aprovar mais verbas para o Fundo, bem como propostas de redução da dívida de países pobres.
Já para o USA Today, que saiu com reportagem sobre o assunto em sua primeira página, o dinheiro depositado na Suíça em contas cujos titulares seriam familiares e colaboradores de Yeltsin, forma parte daquele que foi "lavado" no Bank of New York e no Republic National Bank.
O jornal cita fontes da Receita Federal dos EUA, que, por sua vez, nega a versão. Entretanto, pelo menos seis agências federais, entre elas o FBI e o Departamento do Tesouro, estão investigando o envolvimento americano no escândalo.
Segundo o USA Today, o mafioso russo Semyon Mogilevic (cujo paradeiro é desconhecido) reciclou nos dois bancos americano US$ 15 bilhões, incluindo dinheiro do FMI e do Banco Mundial.
O Bank of New York, fundado em 1784 por Alexander Hamilton (considerado um dos Pais da Pátria), já suspendeu dois de seus diretores, Natasha Gurfinkel e Lucy Edwards, enquanto se investiga o caso.
Gurfinkel, cidadã americana nascida na Rússia, é mulher de Konstantin Kagalosky, que entre 1992 e 1995 foi representante da Rússia no FMI.

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