Santiago, 05 (AE-ANSA) - A imprensa chilena destacou hoje (05) a preocupação de partidários do ex-ditador Augusto Pinochet em relação a um possível quadro depressivo do general, detido em Londres, e o temor de que os médicos receitem remédios muito fortes - que poderiam afetar sua saúde mental. Pinochet está detido desde outubro passado em Londres por uma ordem da justiça espanhola que investiga sua participação em atos de violação de direitos humanos ocorridas durante seu regime (1973-1990). O ex-militar perdeu em todas as instâncias judiciais e agora aguarda o julgamento de extradição para a Espanha, o que tem tentado evitar a qualquer preço. O jornal As Últimas Notícias sustenta que, apesar dos últimos exames descartarem a possibilidade de um câncer na próstata, Pinochet "mostra evidentes sinais de depressão que afetam sua energia física, pois o general mostra-se debilitado". O diretor da Fundação Pinochet, o militar reformado Luis Cortés, disse estar consternado, pois na última sexta-feira o ex-ditador não quis recebê-lo, porque não tinha ânimo para isso. Cortés relatou ainda que o médico da Scotland Yard (polícia britânica) "o encontrou muito desanimado, calado, cansado e pouco comunicativo, levantando suspeitas de que tal quadro pudesse ser resultado de algum problema do tipo cardiovascular". Isso fez com que os médicos submetessem o general a um exame de eletrocardiograma na sexta-feira passada. De acordo com o diretor da Fundação Pinochet, "acredita-se que o general está entrando num estado depressivo e, por isso, ele poderá ser tratado com fortes medicamentos que necessariamente afetariam seu problema de diabetes". "Com tais medicamentos, a taxa de açúcar pode fugir ao controle e desencadear quadros perigosos para sua saúde", completou Cortés. Diante dessa situação, o porta-voz do ex-ditador, Fernando Barros, pediu à chancelaria chilena maior rigor no argumento de que Pinochet deve regressar ao seu país por "razões humanitárias". O chanceler, Juan Gabriel Valdés, ignorou as críticas e reconheceu que o tema humanitário constitui uma preocupação, uma vez que o estado de saúde Pinochet vem deteriorando-se. A chancelaria pediu à embaixada chilena em Londres que passasse a enviar periodicamente informes sobre a evolução do estado de saúde do general.

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