Agência Estado
Do Rio
O advogado Luiz Carlos de Andrade, que defende Jorgina Maria de Freitas, acusada de fraudar o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), disse ontem que vai recorrer contra a decisão da Justiça da Costa Rica que autoriza a Justiça brasileira a julgá-la por todos os crimes de que ela é acusada. Ele, porém, não disse quando pretende viajar para aquele país. O acordo de extradição da fraudadora permitia que ela fosse julgada apenas por peculato (apropriação ou desvio de dinheiro público), crime pelo qual foi condenada a 14 anos de prisão.
‘‘Isso foi uma surpresa para nós. Ela não foi avisada que esse processo corria’’, afirmou o advogado. ‘‘É mais uma jogada política do governo, que quer desviar a opinião pública do caos em que está o País’’. Jorgina agora poderá ser julgada pelas acusações de falsificação, sonegação fiscal, formação de quadrilha e estelionato. Para seu advogado, ela estaria sendo julgada pelo mesmo crime novamente. ‘‘Esses crimes seriam continuidade do peculato, porque teriam sido cometidos na mesma época e lugar’’, alega. Andrade se queixa de perseguição política. ‘‘Daqui a pouco ela vai ser condenada a mais tempo que os assassinos da chacina de Vigário Geral’’, disse. ‘‘O governo não quer justiça, quer vingança’’.
Jorgina é acusada de desviar R$ 200 milhões do INSS. Ela ficou foragida por cerca de cinco anos, até ser encontrada na Costa Rica, em 1997. Em janeiro do do ano seguinte, o juiz Gerardo Arturo Rojas Fernandes concedeu a extradição da fraudadora, que voltou ao Brasil em fevereiro. Jorgina foi condenada na ação penal nº 04/91 pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio pelo desvio R$ 64.471.058,66.

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