A advogada Jorgina Maria de Freitas, acusada de desviar mais de R$ 112 milhões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), apresentou ontem uma série de pedidos ao comando da Companhia Especial de Policiamento do Trânsito (Ceptran), unidade da Polícia Militar onde fica a cela especial em que ela está presa no Rio. Além de se oferecer para dar aula de ciência jurídica à tropa, Jorgina solicitou a colocação de um aparelho de som em sua cela, cortinas e apresentou uma relação com produtos de limpeza pessoal que gostaria fossem providenciados.
O comandante da Ceptran, major Antônio Germano, negou quase todos os pedidos da advogada, entre eles o relativo às aulas de direito. ‘‘Isso não seria conveniente para a minha administração; sou bacharel em direito e quem instrui minha tropa sou eu’’, justificou. O major negou também a colocação de qualquer eletrodoméstico ou cortinas na cela de Jorgina. ‘‘Não vou permitir que isso aqui seja transformado num apart-hotel’’, disse o oficial. ‘‘Ela pode até receber o que está pedindo, mas se for por determinação de outra autoridade’’, reconheceu. ‘‘Só que, neste caso, essa autoridade ficaria completamente desmoralizada.’
A lista foi apresentada ontem pela manhã por Jorgina diretamente ao major Germano. Segundo ele, ela estava revoltada pelo fato de uma mala com alimentos e roupas que havia sido entregue por sua família à companhia ter ficado retida no almoxarifado da unidade. ‘‘Ela não está muito acostumada com a possibilidade de o poder do capital ser bloqueado’’, ironizou. Germano explicou que, do material contido na mala, vai autorizar que ela receba apenas peças íntimas e objetos pessoais.
Ontem a advogada reivindicou também materiais de limpeza pessoal, mas o comandante afirmou que ela só terá direito ao ‘‘mínimo necessário, como papel higiênico’’. Na conversa com o oficial, ela pediu para telefonar para seu advogado, Felipe Amodeo, que foi visitá-la pela manhã.

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