O advogado brasileiro de Jorgina Maria de Freitas, Carlos Felipe Amadeo, chegou ontem às 10h30 (hora local) à Penitenciária Bom Pastor, na cidade de São José, capital da Costa Rica. Ele foi conversar com a cliente, condenada a 25 anos de prisão por fraudar a Previdência Social em R$ 112 milhões. Jorgina, que se entregou na segunda-feira à polícia da Costa Rica, cancelou a entrevista com a imprensa e passou todo o dia fazendo tratamentos de beleza e cuidando dos cabelos dentro da penitenciária. A advogada ainda não entrou com nenhum recurso contra sua extradição para o Brasil.
Funcionários do Setor de Segurança Nacional, do Departamento de Inteligência e Segurança, confirmaram que até a tarde os advogados de Jorgina não haviam entrado com qualquer recurso contra a extradição da fraudadora. Para eles, Jorgina estaria querendo fazer uma cortina de fumaça deixando vazar informações contraditórias para ganhar tempo e espaço na imprensa brasileira e negociar um acordo melhor sobre sua pena. A imprensa costa-riquenha noticiou ontem que a advogada brasileira tem câncer no seio e precisa de cuidados médicos.
Fontes ligadas à Polícia Federal desconfiam que Jorgina esteja distribuindo propina para retardar ao máximo sua volta ao Brasil. Na terça-feira ela prestou depoimento ao juiz titular do Juizado Primeiro Penal de San José, Gerardo Rojas. Ela recusou-se a receber o cônsul do Brasil, José Gilberto Jungblut, que havia ido até a penitenciária Bom Pastor acompanhado do advogado da embaixada brasileira na Costa Rica, Joaquim Vargas, para verificar as condições da prisioneira.
O ministro Hélio Mosimann, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou ontem o pedido de assistência jurídica gratuita solicitado pela advogada brasileira e encaminhado na última sexta-feira por um advogado de Jorgina. O ministro argumenta que a brasileira não ofereceu qualquer comprovação de que precisa desse tipo de ajuda. O ministro negou também o pedido de notificação ao Ministério das Relações Exteriores para que as embaixadas brasileiras em Washington e Costa Rica promovessem recursos para concessão de assistência jurídica.

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