O escritor baiano Jorge Amado, 88 anos, morreu ontem por volta das 19h30 em Salvador. Ele passou mal e foi levado para o hospital, onde sofreu uma parada cardiorrespiratória. Completaria 89 anos no próximo dia 10.
Em 70 anos de carreira, Jorge Amado teve obras traduzidas para 55 países em 49 idiomas, o que o tornou o escritor brasileiro mais conhecido no exterior. Sua carreira literária começou em 1931, com a publicação de ‘‘O País do Carnaval’’. Dos 32 livros que escreveu, o mais vendido no exterior foi ‘‘Gabriela, Cravo e Canela’’, publicado em 1958 e traduzido para 30 idiomas.
Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), era casado com a também escritora Zélia Gattai e estava com a saúde debilitada havia alguns anos.
A última internação do escritor havia ocorrido no dia 20 de junho com uma crise glicêmica decorrente de sua diabete. Chegou a ficar em estado de coma, mas deixou o hospital no dia 16 de julho.
Os problemas de saúde vinham sendo tratados sempre com emergência em Salvador. Ele possuía apenas 20% da visão. De acordo com alguns parentes, o escritor lutava contra a depressão de não poder ler e escrever.
A saúde do escritor ficara debilitada e agravada por causa de um histórico de fumo e obesidade durante a vida toda. Em 1993, sofreu um infarto. Três anos depois, sofreu um edema agudo no pulmão - um acúmulo anormal de líquidos no órgão, decorrente de insuficiência cardíaca.
Pouco tempo depois, ainda em 96, ele sofreu uma crise de angina e teve de passar por uma angioplastia para desobstruir uma artéria. Em 97, colocou um marcapasso.
O presidente da ABL, Tarcísio Padilha, disse que todos os imortais estão de luto em razão da morte do escritor Jorge Amado, que ocupava a cadeira nº 23 da instituição. Ser um imortal da ABL é um dos títulos mais importantes para a literatura brasileira.
O patrono da cadeira ocupada por Jorge Amado é o escritor José de Alencar. Sua eleição como membro da Academia Brasileira de Letras aconteceu em 1961 e, cinco anos depois, recebeu a primeira indicação para o Prêmio Nobel de Literatura.
O integrante da ABL Arnaldo Niskier lamentou a morte do escritor baiano. Disse que Jorge Amado foi o maior escritor contemporâneo da história brasileira, além de ter sido o mais traduzido para outras línguas.
Jorge Amado é, para Niskier, o pai da literatura eletrônica, já que vários de seus romances se transformaram em roteiros para a TV e para o cinema, fazendo sucesso.

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