Teerã, 05 (AE-REUTERS) Os velhos dirigentes do Oriente Médio começam a mostrar que são mortais após ficarem décadas no poder, iniciando uma era de sucessões marcadas pela incerteza e o risco.
A intriga palaciana e a dramaticidade que cerca o futuro da dinastia hachemita da Jordânia pode ser um prenúncio de tramas e lutas pelo poder, situação em que provavelmente os governados não poderão dizer muito sobre a escolha de seus governantes.
Grande parte dos países do mundo árabe é governada por líderes idosos ou no cargo há muito tempo, alguns com histórico de doenças.
Entre esses países figuram a Síria, a Arábia Saudita e os territórios palestinos.
O rei Hussein, declarado clinicamente morto na sexta-feira depois que voltou de avião dos Estados Unidos para Amã quando o tratamento do câncer não deu resultado, assumiu enorme risco no mês passado quando, sem mais nem menos, afastou o irmão designado para ser seu sucessor e apontou o filho mais velho como herdeiro.
O príncipe herdeiro Abdullah, de 37 anos, comandante das forças especiais da Jordânia, é tido como popular entre as Forças Armadas. É casado com uma palestina, o que lhe vale as simpatias do grupo que forma a maioria da população jordaniana.
Ele recebeu aprovação imediata dos EUA, o mais importante aliado da Jordânia no Ocidente.
Mas Abdullah tem pouca experiência em assuntos de Estado ou administração econômica, ao contrário do príncipe caído em desgraça, Hassan, que outros governos consideravam um governante seguro, embora sem carisma.
Afetuosamente apelidado de "bravo reizinho" por seus simpatizantes ocidentais, o rei Hussein é o governante que mais tempo ficou no poder no Oriente Médio. Sobreviveu a atentados e a guerras desde 1952, conseguindo a coesão de seu reino fraco, etnicamente dividido, e fazendo as pazes com Israel.
Mas seu filho vai herdar um acordo de paz impopular que não rendeu as vantagens prometidas; tensas relações com o Iraque, do qual a Jordânia dependeu há muito tempo para ter prosperidade; um impasse altamente instável entre Israel e os palestinos, com riscos para a segurança jordaniana; e uma economia deprimida. Sua vasta fronteira com o Estado judeu é um ponto potencialmente crítico.
Aparentemente, o príncipe Hassan aceitou estoicamente sua remoção, mas alguns diplomatas do Oriente Médio vêem possibilidades de problemas caso poderosos vizinhos como o Iraque e a Síria derem encorajamento secreto a desafios à legitimidade do príncipe Abdullah.
Poucas semanas atrás, poucos diplomatas teriam apostado que Hassan não seria o sucessor de Hussein.
Uma mudança tão súbita parece menos provável na Arábia Saudita, onde o príncipe herdeiro Abdullah já assumiu o dia-a-dia dos negócios do governo de seu irmão enfermo, rei Fahd, de 76 anos.
Abdullah já viajou pelos EUA, Japão e Europa Ocidental e iniciou um processo de degelo nas relações com o Irã, considerado há muito tempo pelos sauditas um país criador de casos, bem do outro lado do Golfo Pérsico.
Mas o príncipe herdeiro já está na faixa dos 70 anos e alguns diplomatas dizem que os EUA depositam esperanças no ministro da Defesa, príncipe Sultan, cujo filho é influente embaixador do governo de Riad em Washington.
O presidente sírio Hafez al-Assad, no poder desde 1971, estava preparando seu filho mais velho, Basel, para a sucessão quando este morreu num acidente de carro, em 1994. O filho mais jovem, Bashar, foi levado do estrangeiro, onde estudava, de volta à Síria e alistado no Exército.
Ele foi promovido à patente de tenente-coronel e tem sido influente em promover uma cuidadosa e controlada abertura da Síria na Internet, mas ele não tem posição no governista Partido Baath. Especialistas dizem que não está claro se Assad, outros líderes do partido ou o exército irão determinar a sucessão neste país cheio de segredos.
Assad, 69 anos, tem um oficial número dois - o vice-presidente Abdel-Halim Khaddam. O presidente egípcio, Hosni Mubarak, que chegou ao poder quando se predecessor, Anwar Sadat, foi assassinado por militantes muçulmanos em 1981, nunca apontou um vice.
Duas outras grandes sucessões podem desestabilizar o Oriente Médio - no Iraque e nos territórios palestinos.
Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha têm deixado cada vez mais clara sua determinação de derrubar o relativamente jovem presidente iraquiano, Saddam Hussein. Mas não existe um sucessor óbvio no país e muitos especialistas temem que possa haver uma guerra civil, com o risco da desintegração do Iraque, se ele sair de cena.
O líder palestino Yasser Arafat, de 69 anos, dá cada vez mais mostras de que sua saúde piora. Seu lábio superior treme sem parar, embora altos funcionários palestinos desmintam com irritação rumores de que Arafat tem o Mal de Parkinson.
Os israelenses mataram muitos dos mais capazes lugares-tenentes de Arafat na Organização de Libertação da Palestina (OLP) e este evita preparar um sucessor em potencial. Fontes palestinas dizem que entre os possíveis sucessores figuram Mahmoud Abbas (Abu Mazen), que negociou os principais acordos de paz com Israel, mas talvez ele tenha como rivais um alto membro da OLP, Farouq Kaddoumi, importante crítico desses acordos, e comandantes de alguns dos nove serviços de segurança de Arafat.
Algumas fontes palestinas dizem acreditar que Jibril al-Rajoub, líder da OLP que em certa ocasião fez greve de fome e é o poderoso chefe da força de segurança preventiva na Cisjordânia, poderia aspirar ao poder.

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