Arquivo FolhaEmoções de uma final da Copa são risco para cardíacosA movimentação na unidade de emergência do Incor (Instituto do Coração) na última terça-feira, dia da disputa pela vaga na final, entre Brasil e Holanda, foi uma demonstração do que pode acontecer neste domingo nos prontos-socorros de todo o País. Naquele dia, num jogo tenso em que o Brasil só conseguiu passar para a final na decisão por pênaltis, o número de atendimentos foi 43% maior que o do dia anterior, e 42% maior que a média de atendimento nos dias dos outros jogos da seleção na Copa.
O cardiologista Vitor Kawabata, que fez plantão do Incor naquele dia, diz que esse aumento está relacionado ao nervosismo em torno do jogo, embora não tenha ouvido comentários sobre o assunto dos seus pacientes. O colega de Kawabata, Marcelo Park, veterano em plantões em dia de jogo do Brasil em Copas, acha que o de amanhã não deve ser mais agitado nem mais problemático que os outros.
Segundo o médico, não há nenhum esquema especial de atendimento no domingo. Mas ele acredita que o motivo que levará a maioria dos pacientes à emergência será o mesmo a tensão do torcedor cardíaco.
Park, que já fez plantão na final de 1994, atendeu na última terça-feira e estará de plantão neste domingo, diz que durante o jogo com a Holanda, teve de atender às pressas um paciente da UTI (Unidade de Terapia Intensiva). ‘‘Ele ouvia o jogo pelo rádio e teve uma arritmia , conta.
Embora possa haver problemas como esses, os cardiologistas afirmam que não proíbem os pacientes internados de ver ou ouvir os jogos do Brasil, a não ser que estejam recém-infartados ou em estado de saúde muito delicado. ‘‘Antigamente éramos mais rigorosos, não deixávamos os pacientes verem os jogos. Não somos mais tão radicais, afinal é um jogo que todo mundo quer assistir. Ninguém vai querer ser mais realista que o rei , diz o médico
Amiti Nussbacher, do Incor e do Hospital Albert Einstein. Ele diz que, na UTI semi-intensiva do Einstein, os pacientes podem assistir aos jogos pela TV. ‘‘Pedimos que eles tentem se manter calmos e geralmente não há problema , diz Nussbacher.

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