Londrina- A discussão sobre a duplicação de um trecho de 501 metros da avenida Guilherme de Almeida (Zona Sul de Londrina) movimentou os corredores da Câmara de Vereadores na tarde de ontem e provocou reações acirradas entre o Secretário de Governo, major Adalberto Pereira, o proprietário da área e vereador João Dib Abussafi, e representantes dos moradores da região. Sem garantia de ver a reivindicação atendida, a população bloqueou a via pelo segundo dia consecutivo em protesto contra os constantes acidentes graves e mortes.
Disposta a sair do Centro Cívico com uma resposta definitiva para o problema, uma comissão representando bairros da região foram à Câmara cobrar uma solução. O debate sobre o tema na abertura da sessão descambou para aspectos legais que emperrariam a execução da obra, envolvendo tanto o proprietário quanto a Prefeitura.
Inicialmente, Abussafi se dispôs a doar os 501 metros para o Município desde que fosse feita toda obra de infra-estrutura no trecho, o que poderia beneficiá-lo caso resolvesse executar futuramente um loteamento no terreno, cuja área total soma 25 mil metros quadrados. Interpelado pelos jornalistas, voltou atrás e disse que aceitaria doar em troca apenas do asfaltamento. Obrigatoriamente, a pavimentação precisa ser acompanhada de rede de esgoto e abastecimento de água, galeria pluvial e iluminação pública.
O secretário de Governo foi chamado ao Legislativo, se reuniu com Abussafi e com a comissão de moradores e alegou que, enquanto o terreno não fosse doado, a Prefeitura não poderia atuar porque estaria burlando a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Como o proprietário não aceita doar a área sem a contrapartida, a duplicação da avenida não foi definida.
Durante coletiva, Pereira afirmou que a questão seria levada ao prefeito Nedson Micheleti. Uma das possibilidades é a permuta de áreas entre Município e proprietário. Outra brecha seria a decretação da área como sendo de utilidade pública, mas faltariam os recursos para a duplicação.
A comissão deu prazo de 15 dias para as partes apresentarem uma saída. Os moradores voltaram a bloquear a avenida no final da tarde.

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