Arquivo FolhaPressãoO ministro Jobim teve que renegociar o uso do RenavamNessa semana, os computadores do Consulado brasileiro em Ciudad del Este voltaram a ter acesso ao Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam). Depois de ficar desligado por dois meses, o sistema foi reativado com a interferência do ministro da Justiça Nelson Jobim. A instalação do Renavam foi um acordo feito entre os dois países para ajudar a Polícia Nacional do Paraguai a rastrear veículos brasileiros roubados. Implantado há seis meses, o sistema foi colocado nos consulados e Embaixada brasileira no Paraguai. Porém, só foi utilizado duas vezes.
No ano passado, quando pregava a moralização, o Paraguai anunciou que pelo menos 150 mil carros brasileiros e 80 mil argentinos eram suspeitos dentro do país. No banco de dados do Renavam, constam informações de mais de um milhão de carros brasileiros roubados nos últimos 15 anos.
O assessor de Gabinete da Polícia Nacional do Paraguai, César Augusto Lima, confirmou o descaso em recuperar carros brasileiros roubados. ‘‘Ninguém vai sair procurando carros e perguntando se é brasileiro e se foi roubado. Atuamos através de pedidos da polícia brasileira’’, disse.
O cônsul brasileiro adjunto, Djalma Mariano, diz que a impunidade no Paraguai estimula a receptação de veículos roubados. Ele cita uma feira de carros usados, instalada a uma quadra da Polícia Municipal, onde são vendidos carros, na maioria brasileiros. ‘‘O mais grave é que estão sendo detectados casos de veículos roubados no Brasil e que entram no país com a documentação paraguaia pronta’’, afirma o cônsul.
Segundo ele, a Argentina está mais avançada nas negociações com o Paraguai para se encontrar e repatriar carros roubados. ‘‘Por outro lado, não se houve falar, por exemplo, que carros roubados no Brasil estão na Argentina. Isso acontece por que a Legislação nesse país é mais rígida’’, compara.
Na semana passada, o deputado federal Padre Roque (PT-PR) esteve na fronteira. Disfarçadamente, ele queria obter informações sobre narcotráfico, lavagem de dinheiro e roubo de carros. ‘‘Isso tem que se fazer devagar. O levantamento de informações, pode se entornar o caldo. O resultado pode ser um belo pudim ou tiro pelas costas’’, disse.
Roque afirmou que estava preocupado com a violência na fronteira e que obteve informações que o Lago de Itaipu é um ‘‘cemitério’’. Ele acredita que que a saída ainda é equipar as polícias para guardar a fronteira e defendeu a unificação de algumas leis entre Paraguai e Brasil para coibir o crime organizado. ‘‘Conversei com uma autoridade paraguaia que me disse: se o Brasil souber o que acontece no Lago de Itaipu, o brasileiro não dormiria mais. Isso me preocupou’’, disse o deputado. (Antônio França)

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