Rio, 13 (AE) - Pelo menos 300 pessoas estão sendo investigadas por lavagem de dinheiro no País, segundo o ministro do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim. Ele participou hoje de fórum sobre o assunto na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). "São processos difíceis, que têm por objetivo a destruição de grandes organizações criminosas", afirmou o ministro.
Até o fim da semana, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Fazenda lança uma cartilha explicativa para juízes, e profissionais do setor financeiro sobre a legalização de dinheiro.
Jobim não quis dar detalhes sobre as investigações. Elas teriam sido iniciadas depois de denúncias do sistema bancário, que detectou movimentações financeiras suspeitas. "É preciso levar em conta que até um ano atrás, antes da lei 9.613, não era crime ocultar dinheiro proveniente do narcotráfico", disse o ministro sobre as dificuldades de se apurar as suspeitas.
Durante o fórum, o ministro explicou os termos da lei, de março de 1998, para juízes, delegados e empresários. Ele citou casos de legalização de dinheiro e afirmou que essas operações não podem ser feitas sem a cooperação de "excelentes" contadores e advogados. "É por isso que a lei pune também quem dá o suporte técnico", disse Jobim. O ministro defendeu ainda o que chamou de "técnica de atração pela cooperação". "Dá-se um prêmio ao delinquente que aceita delatar seus comparsas; pode ser a redução de um terço ou dois terços da pena", explicou.
Outra estratégia que a lei permite é o sequestro dos bens do suspeitos antes da decisão judicial. Para reaver seu dinheiro, o acusado deve se apresentar ao juiz e informar a origem da quantia. "O magistrado ficará muito curioso se o sujeito tem milhões de dólares apreendidos e não pedir a liberação do dinheiro; é uma técnica de investigação", afirmou Jobim.

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