Joãozinho Trinta jápensa em 98
Agência Estado

Arquivo FolhaConquistaJoãozinho Trinta deu um título inédito à escola de samba ViradouroRIO - Pobre gosta de luxo e intelectual, de miséria. A frase atribuída ao maranhense João Jorge Clemente Trinta, o Joãozinho Trinta, 63 anos, serve como referência para quem pretende conhecer um pouco da história do carnavalesco oito vezes campeão do desfile das escolas de samba do Rio. A última conquista veio na semana passada, com a Unidos do Viradouro, de Niterói. Pobre na infância e apontado como gênio desde os anos 70, quando foi bicampeão pelo Salgueiro e tricampeão pela Beija-Flor, Joãozinho deixou o vedetismo e a vaidade exacerbada de lado numa noite de julho do ano passado.
Estava no barracão da Viradouro e sofreu uma isquemia cerebral. Ficou com o braço direito paralisado e a voz arrastada. Desde então, passou a cultuar a alegria como um instrumento de combate à doença. ‘‘Criei a minha própria explosão e vou ficar bom da isquemia’’, afirma. No desfile da Viradouro, ele emocionou o público ao sambar com o braço torto e a perna direita dolorida.
Agência Estado - Aos poucos, os banqueiros do jogo do bicho estão deixando a direção das escolas de samba do Rio. Foi assim com Ailton Guimarães, o Capitão Guimarães, na Vila Isabel; com José Petrus, o Zinho, na Estácio de Sá e Mangueira; e agora com José Carlos Monassa, o patrono da Viradouro, que anunciou seu afastamento após o título. Isto pode prejudicar o desfile do Sambódromo?
Joãozinho - Sim, o Carnaval do Rio está ameaçado. É hora dos empresários dos setores ligados ao turismo - as redes hoteleiras, as agências de viagem - começarem a investir nas escolas. O grande cartão de visitas do Brasil pode estar com os dias contados. O pior pecado é o da omissão e eles vão sofrer com isso.
Já definiu o próximo enredo da Viradouro?
Sim, tenho na cabeça os enredos da escola até o ano 2000.
O senhor costuma elogiar o presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele pode ser tema do carnaval da Viradouro?
(O carnavalesco ri antes de responder) Acho que ele estará num dos meus três próximos enredos. É o presidente do terceiro milênio e eu já dizia isso a ele antes mesmo de a reeleição ser discutida. O Plano Real deu uma carta de crédito ao presidente. Acho o tema O Presidente do Terceiro Milênio muito interessante e rico. Eu vou querer, no entanto, mostrar que ele poderia ousar mais, expandir mais sua ação.
Como assim?
Por exemplo, ele seria apresentado como um presidente Big-Bang, capaz de fixar o homem no campo através de uma explosão agrária e não de uma reforma agrária, que é uma nominação tímida. É possível construir uma riqueza alegórica a partir dessa idéia.

mockup