do Rio
A Viradouro, escola do carnavalesco Joãozinho Trinta, é a campeã do Carnaval 97 do Rio, com o enredo ‘‘Trevas! Luz! A Explosão do Universo’’.
Na apuração encerrada no final da tarde de ontem, a Mocidade Independente de Padre Miguel ficou com o vice-campeonato, e a Mangueira, com o terceiro lugar.
A escola levou para a avenida o Big-Bang, momento em que teria sido gerado o universo, pela teoria científica mais aceita.
O desfile começou com carros e componentes em preto representando o ‘‘nada absoluto’’. Joãozinho Trinta, que sofreu uma isquemia no ano passado e não acompanhou a apuração no Sambódromo, foi considerado o grande responsável pelo sucesso da escola, relativamente novata no Grupo Especial.
‘‘Foi como no futebol: o time pequeno mostrou volume de jogo, cresceu no jogo e fez o gol da vitória’’, comparou o diretor Domingos da Costa Ferreira. ‘‘Isso graças ao Joãozinho, que tem responsabilidade total no resultado.’’
Com a vitória, a escola de Niterói se redimiu do 13º lugar no desfile do ano passado. A principal inovação introduzida pela Viradouro foi a batida funk de sua bateria, comandada por mestre Jorjão.
Apesar de ser a responsável pela maior ousadia rítmica apresentada este ano no desfile das escolas de samba do Rio, o uso de batida funk em uma paradinha do samba quase acaba sendo responsável pela perda do título de campeã pela escola.
Ela recebeu a única nota nove da Viradouro, justamente no quesito mais importante para efeito de desempate. A nota, do jurado Álvaro Costa e Silva, foi a penúltima a ser computada na contagem geral, e reacendeu as esperanças dos torcedores da Mocidade Independente de Padre Miguel.
No final, com a nota dez dada pelo último jurado, o nove acabou sendo descartado e não teve importância na decisão. Caso tivesse perdido pelo menos meio ponto no último jurado, a Viradouro ficaria empatada com a Mocidade mas seria vice-campeã pelo desempate no quesito bateria.
A Mocidade, campeã do ano passado, foi vice por apenas meio ponto (179,5 contra 180) e protestou informalmente contra o resultado, definido pelo quesito harmonia.
‘‘A harmonia só tem a ver com a escola toda estar cantando o samba, e foi o que fizemos de ponta a ponta no Sambódromo’’, reclamou o vice-presidente José Manoel. ‘‘Foi injusto porque a gente merecia a nota máxima.’’ A escola teve duas notas 10 e duas 9,5. Pelo regulamento do Rio, são descartadas a pontuação mais baixa e a mais alta, o que deu soma de pontos 19,5 nesse item.
Na entrega dos prêmios às cinco escolas mais bem colocadas, o presidente da Mocidade, Jorge Pedro, fez questão de demonstrar seu desapontamento. Não ergueu o troféu acima da cabeça, evitou posar com ele para fotos e pouco chacoalhou sua garrafa de champanhe.
Quatro escolas foram rebaixadas para o Grupo de Acesso: Rocinha, Império Serrano, Santa Cruz e Estácio de Sá. Apenas duas subirão para o Grupo Especial, que terá 14 escolas em 1998. A apuração do Grupo de Acesso não havia terminado até as 19 horas.
No sábado, a partir das 20 horas, acontece no sambódromo do Rio de Janeiro o desfile das escolas campeãs. Vão desfilar oito escolas - as cinco primeiras colocadas do Grupo Especial e a campeã e vice do Grupo de Acesso, além de uma outra escola convidada.

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