Agência Estado
De São Paulo
O empresário João Jorge Saad, presidente da Rede Bandeirantes, morreu ontem às 15 horas, em sua casa, em São Paulo, de câncer generalizado. Ele tinha 80 anos e há dois anos combatia a doença. Hoje, às 15h30, o corpo será levado da Assembléia Legislativa de São Paulo, onde ocorre o velório, para o Crematório de Vila Alpina. Saad deixou cinco filhos e 12 netos. Era viúvo desde 1996 – sua mulher, Maria Helena, morreu de câncer, aos 68 anos.
Saad nasceu em Monte Azul, no interior de São Paulo, e foi um empreendedor que se firmou no mundo da TV administrando os negócios da família. Esse talento foi herdado do pai, Jorge, comerciante que deixou Damasco, na Síria, e desembarcou no Brasil no início do século.
Indisciplinado e irrequieto, Saad abandonou os estudos no ginásio e foi vender tecidos como representante da M. Saad & Cia, no interior de São Paulo e de Minas, a bordo de um Ford 1929. Em 1945, aos 25 anos, casou-se com Maria Helena Mendes de Barros, então com 17 anos, filha do ex-governador Ademar de Barros. Após as eleições de 1947, quando se elegeu governador do Estado pela UDN, o sogro lhe ofereceu um cartório. Saad recusou. Ademar de Barros era dono de um negócio bem mais atraente para o genro, a Rádio Bandeirantes. Barros pediu a Saad que resolvesse um problema entre dois diretores da emissora que não conseguiam entender-se. Ele foi e não saiu mais.
Em 1950, trabalhou nas campanhas de Lucas Nogueira Garcez para o governo do Estado, de Getúlio Vargas para a presidência e de Cesar Vergueiro para o senado. Com o fim das eleições, o sogro cedeu-lhe a rádio, mas em troca pediu colaboração em suas campanhas eleitorais.
No dia 13 de maio de 1967, no bairro do Morumbi, foi inaugurada a TV Bandeirantes, com a melhor tecnologia da época. A programação era composta de filmes, esportes e jornalismo, tripé que sustentou a emissora até recentemente. Uma das atrações que marcou a TV foi ‘‘Titulares da Notícia’’. ‘‘A TV Bandeirantes representa a minha fé em São Paulo’’, dizia.

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