João Paulo II tenta atrair os jovens
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sábado, 27 de julho de 2002
Paulo Daniel Farah<br> Agência Folha 
São Paulo - O papa João Paulo II celebra hoje uma missa campal para jovens de mais de 170 países, incluindo o Brasil, em Toronto, cidade mais populosa do Canadá.
O desafio das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) deste ano e da visita ao país, iniciada na última terça-feira, é enfrentar a crise provocada pelas acusações de abusos sexuais envolvendo padres da Igreja Católica sobretudo nos EUA mas também, em menor escala, no Canadá.
Foi justamente a essa onda de escândalos sexuais, aliada ao temor de viajar após os atentados de 11 de setembro contra Nova York e o Pentágono, que os organizadores do evento atribuíram o número de inscrições bastante aquém das expectativas em torno de 200 mil jovens.
A eventos similares em Roma, Paris ou Manila (nas Filipinas), apelidados de ''Woodstock católico'', compareceram milhões de pessoas, mas a previsão é que esse será um dos festivais juvenis com menor público desde que o próprio João Paulo II lançou a iniciativa em meados dos anos 80, com o intuito de incentivar a prática religiosa entre os jovens.
De qualquer forma, a estrutura e os custos foram calculados tomando como base um público de 1 milhão de pessoas, com três milhões de hóstias à disposição e a convocação de 2.000 sacerdotes e 3.000 ministros da eucaristia.
A igreja tinha esperança de que a figura do papa, cujo estado de saúde é frágil devido principalmente ao mal de Parkinson e à artrite, atraísse os jovens para os eventos de incentivo às vocações e programas de conscientização religiosa, cuja tônica é a defesa da abstinência sexual antes do casamento e a oposição ao aborto e à ''banalização'' do sexo.
Três dos quatro primeiros dias do líder católico no Canadá foram reservados a um repouso na ilha Strawberry, no meio de um lago a 100 km de Toronto. E Joaquín Navarro-Valls, porta-voz do Vaticano, disse que esse pode ser o novo modelo para a agenda do papa.
De qualquer forma, o sucessor de são Pedro já rejeitou a proposta de encontrar-se em Toronto com um grupo que representa as vítimas de abusos sexuais cometidos por padres católicos no Canadá, segundo Yves Manseau, do Movimento Ação Justiça.
No último dia 3, Manseau enviou uma carta ao núncio apostólico de Canadá, monsenhor Luigi Ventura, solicitando um encontro com o papa. ''O programa das JMJ não permitem acolher esse pedido'', alegou o Vaticano.


