Pequim, 27 (AE-AP) - Num combativo discurso, impróprio para uma reunião de líderes empresariais mundiais, o presidente Jiang Zemin garantiu hoje (27) que a China respeita os direitos humanos e renovou ameaças de retomar Taiwan pela força.
O tom do discurso de Jiang foi estranho, já que sua audiência veio a Xangai a fim de ouvir um endosso às reformas econômicas da China. Ele não fez menção aos esforços do país para entrar na Organização Mundial do Comércio e rejuvenescer a atrasada indústria estatal e os bancos sobrecarregados de dívidas.
Jiang referiu-se rapidamente a comércio, prometendo "bons termos e... um melhor ambiente" para investidores estrangeiros, mas não ofereceu novas iniciativas para companhias lutando para conseguir lucros na China.
Muito de seu discurso de 20 minutos foi dedicado a defender que a China respeita os direitos humanos, insistindo que o desenvolvimento econômico tem de vir antes de tudo.
"Nos opomos a qualquer esforço de qualquer país de impor seu próprio sistema social e ideológico sobre qualquer país", disse ele.
Os comentários de Jiang receberam aplausos polidos mas não entusiásticos de uma audiência que incluia o presidente da Time- Warner Inc., Gerald Levin, o ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger, o executivo-chefe de Hong Kong, Tung Chee-hwa, e o vice- presidente da Time-Warner, Ted Turner.
O encontro na centro internacional de convenção às margens do rio Huangpu, em Xangai, foi organizado pela revista Fortune, da Time- Warner, e contou com a presença de 58 presidentes e executivos-chefe das companhias da Fortune 500 e dezenas de outros líderes de corporações estrangeiras e chinesas.
Jiang renovou as condolências oficiais pelas perdas no terremoto em Taiwan da semana passada, mas repetiu a insistência de Pequim em retomar o controle da ilha - à força se necessário. Os dois lados se separaram em meio a uma guerra civil em 1949.
"Não iremos nos comprometer em renunciar ao uso da força precisamente com o objetivo de trazer uma solução pacífica para a questão de Taiwan", disse ele.
Momentos antes, ele havia dito que a China não apresenta perigo para ninguém, um típico argumento usado para tentar apaziguar temores sobre a ascensão de Pequim. Ele revelou que a China precisa de um ambiente pacífico para concentrar-se no desenvolvimento econômico, mas também recorreu à retórica da Guerra Fria ao exigir que países desenvolvidos do norte ajudem no desenvolvimento do esforçado sul.
Não ficou claro a quem os comentários de Jiang eram dirigidos, o que ficou evidente nos restritos aplausos de uma audiência perplexa.
Mas com a aproximação do 50º aniversário do regime comunista, na sexta-feira, a retórica nacionalista está em alta.
Um lobista de empresários americanos, em Xangai para o foro, foi sabatinado sobre o imperialismo ocidental por um normalmente agradável e reformista prefeito da cidade, Xu Kuangdi, em frente de câmaras de tevês locais.

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