Jerusalém, 01 (AE-AP) - A retirada de uma milícia pró-israelense da cidade libanesa de Jezzine é vista como um símbolo que talvez marque o início do fim da presença militar israelense de 17 anos no sul do Líbano.
O novo governo do primeiro-ministro eleito Ehud Barak acompanhará de perto para se certificar que o governo libanês tomará controle das áreas abandonadas e manterá as guerrilhas antiisraelenses o mais longe possível.
Mas não importa o que acontecer daqui para frente, o tempo parece ter se esgotado para a presença contínua de Israel.
"Eu acho que isso mostra que nós estamos no início de uma fase diferente", disse Matan Vilnai, um deputado do Partido Trabalhista próximo a Barak e ex-vice-chefe do Exército.
Vilnai reiterou a determinação de Barak de retirar as tropas do Líbano dentro de um ano, em parte através de um acordo de paz com a Síria, a principal força dentro do território libanês.
O ESL decidiu se retirar de Jezzine, um enclave localizado ao norte da zona de segurança declarada por Israel no sul do Líbano
depois de reconhecer várias casualidades provocadas por ataques do grupo guerrilheiro pró-iraniano Hizbollah (Partido de Deus).
Em um ataque violento, o Hizbollah detonou várias bombas plantadas em margens de estradas, matando dois milicianos do ESL
ferindo um terceiro e provocando ataques retaliatórios por parte de Israel.
Segundo comentaristas israelenses, a decisão do comandante do ESL, general Antoine Lahad, de se retirar marcou a primeira vez em uma década em que a milícia se entregou em face a uma derrota.
"A retirada do enclave de Jezzine... talvez represente em alguns meses o fim do atual envolvimento de Israel no Líbano", escreveu o colunista Amos Herel no jornal Haaretz.
Embora concorde com a determinação de Barak de retirar as tropas israelenses do sul do Líbano, Herel alerta, entretanto, para "o perigo de um efeito bola de neve culminando com o total colapso do ESL". "Ninguém quer ser o último a ser assassinado", conclui o comentarista.
Jezzine poderia servir como um teste para uma futura retirada de Israel de toda a zona de ocupação. Segundo analistas, Israel observará de perto a disposição libanesa de manter o Hizbollah longe do enclave.
O ministro libanês da Informação, Anwar Khalil, foi vago em como seu governo tratará a nova situação em Jezzine. "Deixem a força hostil (ESL) se retirar e então nós agiremos de acordo", disse ele na semana passada.

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