Londrina - Cinco jovens brincavam com uma boia nas proximidades do Lago Igapó, no último domingo, quando um jet ski passou a menos de dois metros do grupo. Depois da provocação, o piloto saiu em disparada deixando para trás um rastro de ondas.
Erro dos jovens, que entraram na água mesmo com a proibição de nadar no Igapó, e do piloto do jet ski, que poderia ter provocado um grave acidente no local.
De acordo com as Normas da Autoridade Marítima, as embarcações de propulsão a motor devem permanecer a pelo menos 200 metros de banhistas ou da margem do espelho d'água. A infração pode acarretar em multa que varia de R$ 40 a R$ 3,2 mil.
A intimidação dos jet skis é uma cena comum, segundo frequentadores da barragem. ''Se eles veem que a gente tem uma máquina (fotográfica) nas mãos eles fazem mais gracinhas, passam perto e jogam água na gente'', revelou a operadora de caixa Maria Angela Souza. ''Ele passou a menos de cinco metros de mim enquanto mergulhava'', contou o vigilante Rogério de Sousa.
No trapiche do lado, o mecânico Natan Modeluti ajustava o motor do seu jet ski. A embarcação estava regularizada e o piloto portava a arrais (habilitação), adquirida em fevereiro desde ano. ''Cheguei a andar um ano sem habilitação e tomei multa de R$ 1,8 mil quando estava no Litoral. Depois corri atrás. No começo do ano houve um curso aqui na cidade da Marinha'', explicou.
No entanto, ainda tem gente que se diverte desconsiderando a legislação. ''Acho que tem que ter limites. A gente vê até crianças pilotando jet ski'', esbravejou a costureira Luciana Jandira de Lima. No primeiro semestre houve um acidente envolvendo dois jet skis. Um dos pilotos, que levou 240 pontos na região abdominal, não portava arrais.
A imprudência é reflexo da impunidade. A Capitania dos Portos é a responsável pela fiscalização desses casos. Porém, a unidade mais próxima fica em Guaíra (Oeste), a aproximadamente 400 quilômetros de distância de Londrina.
Após dois dias tentando contato, nenhum responsável pela Delegacia de Guaíra se pronunciou.
Legislação
O Código de Posturas do Município (11.468/2011) proíbe a ''natação, o banho ou a prática de esportes náuticos nos rios, córregos, lagos e espaços públicos do município''. Uma placa alerta as pessoas sobre a regra na beira do Lago Igapó.
Mas o aviso é ignorado por muitos. A FOLHA flagrou dezenas de pessoas se refrescando na água durante o final de semana, enquanto os termômetros registravam 35 graus. ''A gente não tem dinheiro para pagar um clube ou thermas. Não temos para onde ir e o Igapó é a nossa única forma de diversão'', lamentou o pedreiro Ailton Alcântara.
A legislação aponta a infração, mas não um órgão fiscalizador. No domingo, agentes da CMTU fiscalizavam o trânsito nas imediações da barragem do Igapó. Já os guardas municipais faziam rondas preventivas, mas não alertavam banhistas sobre o uso da água.
''A gente não faz trabalho preventivo porque é um local impróprio para banho. Quando há a Operação Verão a gente faz rondas, mas ali não é um local para ter um posto guarda vidas. O que precisa é uma fiscalização efetiva'', alertou o tenente do Corpo de Bombeiros, Rafael Augusto Galante.
''Não é nossa competência principal fiscalizar esse tipo de conduta. As normas e condutas têm cunho municipal, mas se o uso coloca em risco alguém, cabe alertar independente do órgão'', frisou o comandante da 2 Companhia de Polícia Militar Ambiental, capitão Ricardo Eguedis.

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