São Paulo, 22 (AE) - O juiz da 18ª Vara Cível da Capital, Maury Angelo Bottesini, recebeu hoje ação de indenização na qual o empresário Carlos Francisco Ribeiro Jereissati, dono do grupo La Fonte e integrante do Consórcio Telemar, pede que o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros seja condenado a pagar-lhe indenização de R$ 15 milhões, com juros e correção monetária, por danos morais. Jereissati sente-se atingido em sua honra pelas reiteradas entrevistas que Mendonça de Barros concedeu à imprensa a propósito do grampo telefônico durante o processo de privatização do sistema Telebrás.
Nas entrevistas, Mendonça de Barros acusou Jereissati de haver entregue as fitas ao deputado Aloízio Mercadante (PT-SP). O teor das fitas foi divulgado pela primeira vez em 17 de novembro passado, revelando conversas mantidas entre Mendonça de Barros e André Lara Resende, então presidente do BNDES. O escândalo acarretou o afastamento de Mendonça de Barros e Lara Resende de seus cargos.
O juiz Maury Angelo Bottesini mandou intimar Mendonça de Barros pelo correio, para que em 15 dias apresente sua defesa. A petição inicial é instruída com 27 documentos, abrangendo o processo 717 páginas, distribuídas em quatro volumes. Pelos mesmos fatos, Jereissati ingressou anteriormente com queixa crime contra Mendonça de Barros, por crime contra a honra. A ação corre no Supremo Tribunal Federal, pois os fatos ocorreram quando Barros ainda era ministro de Estado, o que lhe garante foro especial.
Para Jereissati, ao acusá-lo, Mendonça de Barros agiu "de forma maldosa, irresponsável e imprudente". Acrescenta que posteriormente ouvido no Senado e na Polícia Federal, o ex-ministro "ficou nas evasivas, abandonando a postura agressiva de suas declarações à imprensa".

mockup