Marcos Zanatta
De Maringá
Jardim Laranjeiras tem cerca de 500 casas e a maioria dos moradores, como Joana Escola Santos, não tem onde deixar os filhos para trabalhar
O Jardim Laranjeiras, que já foi um dos bairros mais isolados de Maringá, já está mais próximo de outras áreas habitadas e de loteamentos, mas ainda carece de infra-estrutura. Uma das prioridades dos moradores é a construção de uma creche. ‘‘As mães que conseguem vaga têm que levar os filhos na creche do Conjunto Ney Braga ou da Vila Santa Isabel, a mais de cinco quilômetros de distância’’, diz o presidente da associação do bairro, Cícero Neposiano de Melo. ‘‘Não há argumento que justifique a falta de uma creche no bairro’’. O Jardim Laranjeiras tem cerca de 500 casas e muitas moradoras não podem trabalhar por não terem onde deixar os filhos.
Um levantamento da associação mostrou que 20 crianças do Laranjeiras frequentam creches em outros bairros, e um número igual não encontra vagas. - A dona de casa Joana Escola Santos, que mora na divisa do Laranjeiras com o Ney Braga, disse que está sem trabalhar há quatro anos, desde que teve o último filho. ‘‘E a gente precisa desse dinheirinho’’, revela.
Ela conta que todo mês vai até as creches dos bairros vizinhos, mas não consegue vaga. ‘‘Da última vez fui até o Parque Hortência, que é longe, mas não adiantou porque já tem 29 crianças na frente’’, lamenta.
Uma vizinha dela, Francisca Cunha da Silva, conta que leva o filho para a creche na Vila Santa Isabel, que é ‘‘muito’’ longe. ‘‘Mas não tem outro jeito’’, consola-se. Elas reclamam também que o bairro precisa de um posto de saúde. ‘‘A gente sempre vai nos postos do Ney Braga ou da Vila Vardelina, mas é muita gente’’, diz Francisca.
O presidente da associação concorda que o Laranjeiras precisa mais que a creche. ‘‘Na realidade, a gente não tem estrutura pública’’, reconhece. Além da creche, do posto de saúde e de mais salas para a escola pública, os moradores querem melhorias em algumas ruas. Todas as propostas, segundo Melo, foram levadas para as plenárias do Orçamento Popular.
‘‘Estamos sabendo disso, mas queremos pelo menos os serviços imediatos’’, diz Melo. A prioridade, segundo ele, é a readequação de um trecho da Rua Pioneiro Basílio Moreschi, que está com afundamento por causa do trânsito de ônibus urbanos.
O Serviço de Obras e Pavimentação da prefeitura, que tem feito operação tapa- buracos inclusive no bairro, admite que precisa recuperar uma faixa de 50 metros deformada pelos ônibus.

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