Marcos Zanatta
De Maringá
Moradores do Jardim Indaiá, bairro em formação na zona oeste de Maringá, se dizem isolados da cidade. Loteado há cerca de dois anos, o bairro já tem pelo menos 50 casas, outra dezena em construção e apenas dois acessos. Um pelo Jardim Montreal, uma estrada de terra, e outro pela Rua Califórnia, pelo Jardim Los Angeles, por um aterro feito sobre o Córrego Nazareth, que fica mais perto da área comercial.
Com chuva, a passagem sobre o córrego fica intransitável e mesmo com o tempo seco os moradores reclamam das condições da rua. ‘‘O carro não sobre aqui por causa dessas pedras soltas’’, reclama o autônomo Paulo Sérgio Vieira. Para subir até o Jardim Los Angeles, conta ele, é preciso ir com o carro sobre a parte gramada ao lado da rua e correndo o risco de ficar atolado.
O que mais revolta os moradores é que todo o bairro está asfaltado, mas para chegar e sair de casa são obrigados a enfrentar barro nas vias de acesso. ‘‘Nós já pagamos todo o asfalto, falta a prefeitura fazer a parte dela’’, diz Vieira. Ele reclama ainda do excesso de mato nos terrenos baldios. ‘‘Mudei para cá no final do ano passado e até agora ninguém fez uma roçada aqui’’.
Sem asfalto, o bairro não é atendido pelo transporte coletivo. ‘‘Preferia ter ficado em Sarandi, onde o ônibus passava na rua de casa’’, diz a dona de casa Marlene Madalena da Silva. Ela mudou há quatro meses para uma casa ainda em construção, ao lado da sogra, e diz que ‘‘sofre’’ para sair de casa.
Marlene queixa ainda que para chegar até o ponto de ônibus, no Jardim Los Angeles, as pessoas mais velhas e crianças têm que ‘‘escalar’’ um trecho da Rua Califórnia. ‘‘Aquilo é uma montanha, e o pior, com pedras soltas pra gente escorregar’’, diz.
O presidente do Serviço de Obras e Pavimentação (Saop), de Maringá, Ivo Barros, disse que a prefeitura já fez a ligação do bairro pelo Córrego Nazareth, mas não tem como asfaltar o trecho. ‘‘Existem bairros com mais de 20 anos que não estão pavimentados, e nossa prioridade é atender áreas mais populosas’’, afirma. Além disso, observa, o trecho sem habitação entre os dois bairros é muito grande. Barros lamenta que as loteadoras abram bairros em áreas tão isoladas, colocando depois os moradores contra a administração.

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