JAPONESES FESTEJAM A IMIGRAÇÃO
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sábado, 17 de junho de 2000
Maigue Gueths De Curitiba 
A comunidade nipo-brasileira comemora, neste final de semana, os 92 anos da imigração japonesa ao Brasil. Em Curitiba, a chegada do navio Kasato Maru no Porto de Santos, em 18 de junho de 1908, será lembrada com o 10º Festival da Imigração, o Imin Matsuri. A festa começou ontem na Praça do Japão, das 10 horas às 22 horas, e prossegue hoje das 10 horas às 17 horas.
Apesar de ser uma cerimônia japonesa, o Imin Matsuri mistura um pouco da tradição das festas de junho. É que, ao chegar em Santos, do convés do navio, seus 800 passageiros viram fogos de artifício estourando no céu. No início, pensaram que tratava-se de uma recepção, mas logo descobriram que era só uma festa de São João. Por isso, além de barracas com comidas típicas, apresentações de artes marciais, mostras de ikebana, karaokê e dança japonesa, também haverá quadrilha junina.
Segundo o jornalista Cláudio Seto, estudioso da cultura japonesa, no início o governo paranaense rejeitou a vinda da comunidade ao Estado. Os senhores do chá e os barões do mate que moravam em Curitiba não queriam diversificar a cultura com o algodão, café e arroz cultivados pelos japoneses, conta. Assim, a chegada em massa dos japoneses no Norte do Paraná só aconteceu na década de 30. Foi no litoral, na cidade de Antonina, entretanto, que se instalou a primeira colônia japonesa do Paraná, no ano de 1916.
Existem, hoje, cerca de 2 milhões de japoneses no Brasil. Destes, 95% moram no estado de São Paulo, 5% no Paraná e o restante em outros estados. Só na capital paulista são 360 mil japoneses, e em Curitiba segunda cidade com maior número de japoneses, 36 mil.
Levantamento recente desmonta a crença sobre as principais profissões entre a comunidade. Em Curitiba, há 150 dentistas e 200 médicos japoneses, contra apenas 5 donos de quitanda e 10 de lavanderia. Apesar de bem preservada, a cultura também já está misturada. O engraçado é que os mais velhos nem falam português, mas vêem novela, diz Seto, lembrando que as danças típicas, o banho de ofurô, o Kendô (luta com espadas de samurai), além de outras tradições, continuam fazendo parte do dia a dia da comunidade.


