Japonesa vira brasileira para ganhar bolsa no Japão
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quarta-feira, 24 de março de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Rika Yamane, 27 anos, 24 deles vivendo no Brasil, e a nacionalidade japonesa. O fato de ser estrangeira, até então, nunca havia sido um empecilho para a médica veterinária. A única coisa que a incomodava era a exclusão da vida política do País. Estrangeiros não podem votar ou se candidatar para cargos públicos. As barreiras, para ela, vieram justamente de seu país de origem. Para se candidatar a uma pós-graduação no Japão, Rika precisa ser estrangeira para o país de onde ela saiu ainda criança e, por causa disso, buscou a naturalização brasileira. Parece um contra-senso, mas segundo Rika, o Japão oferece bolsas de estudo apenas para estrangeiros.
A veterinária está há dois anos em Curitiba. Já morou em Londrina, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa e em São Paulo capital. Ela estava entre os oito estrangeiros que, ontem, receberam do juiz federal Zuudi Sakakihara, da 1 Vara Federal de Curitiba, os certificados de naturalização expedidos pelo Ministério da Justiça.
A solenidade de entrega é um ritual obrigatório para que os novos cidadãos brasileiros sejam bem informados de seus direitos e responsabilidades. Segundo Sakakihara, no Paraná são entregues entre 60 e 80 certificados por ano, nas quatro audiências que acontecem, em média, a cada três meses. A de ontem foi a primeira de 2004.
Como o Brasil não impõe restrições à permanência de estrangeiros, para o juiz, a possibilidade do exercício da cidadania, com direito de influir nas decisões políticas do País, talvez seja o ponto mais importante da busca pela naturalização.
O empresário libanês Radwan Mehdi Raad, 31 anos, está há apenas seis anos no Brasil, mas já constituiu família e não pensa em deixar o País. Por isso, também buscou e conseguiu a naturalização. Casado com a curitibana Carolina, de 21 anos, Raad é pai da brasileirinha Zahra, de dois anos, e aguarda um outro brasileirinho que está a caminho.
Para adquirir a naturalização, o estrangeiro deve cumprir algumas exigências, entre elas, ter residência contínua em território nacional pelo prazo mínimo de cinco anos; ler e escrever a língua portuguesa; ter uma profissão ou posse de bens suficientes para manter a si mesmo e a sua família e estar isento de condenação no Brasil por crime cuja pena seja superior a um ano de prisão. Desde o pedido, feito junto à Polícia Federal, até a concessão, o processo leva cerca de seis meses.


