Rio, 2 (AE) - O Eximbank do Japão, financiador de 60% de quatro grandes projetos da Petrobrás, que representam investimentos de US$ 4,9 bilhões, ameaçou desistir da parceria financeira. Executivos do banco japonês passaram quatro dias no Brasil na semana passada negociando garantias. Eles alegaram que corriam o risco de não poder exportar para seu país o petróleo que ajudariam a produzir, em caso de crise internacional, decretação de moratória ou outra eventualidade do tipo. A Petrobrás ofereceu "garantias relativas" e espera fechar os contratos ainda este ano.
As negociações envolvem três campos em fase de desenvolvimento de produção na Bacia de Campos: Barracuda (projeto de US$ 2,3 bilhões), Espadarte-Voador-Marimbá (US$ 1,5 bilhão) e Albacora (US$ 400 milhões). O quarto acordo é no Espírito Santo, para a construção de uma rede de dutos, o Projeto Cabiúnas, avaliado em US$ 700 milhões.
Pelos cálculos do diretor financeiro da Petrobrás, Ronnie Vaz Moreira, com o fechamento das parcerias o País receberá, em recursos externos, US$ 1 bilhão ainda este ano, US$ 1,6 bilhão no ano 2000 e US$ 2,3 bilhão em 2002.
Todos os contratos seguem o padrão de project finance, no qual a garantia de pagamento do empréstimo é a própria produção do campo. Para atender às exigências de mercado, o governo baixou Medida Provisória autorizando a exportação. Os japoneses alegam, contudo, que a garantia pode cair caso, em incidentes internacionais de vulto, o Brasil baixe nova legislação desautorizando o transporte do produto para fora do País.
Eles reivindicavam um mecanismo que lhes desse proteção total. A direção da Petrobrás argumentou que a MP já dava a garantia e que novo decreto não seria publicado.
A empresa, que começou a recorrer a este tipo de financiamento há cerca de dois anos, vai concentrar seus investimentos neste tipo de projeto. Já estão sendo preparados modelos de project finance para os campos de Roncador e de Marlim-Sul, duas jazidas gigantes que exigirão investimento inicial mínimo de US$ 1 bilhão cada uma.
"Só vamos iniciar negociações em Roncador e Marlim-Sul depois que tivermos fechado o acordo dos quatro projetos hoje em pauta", diz Ronnie. Ex-diretor no Brasil do banco holandês ABN-Amro, ele ocupa há um mês a direção financeira da Petrobrás e criou uma superintendência para cuidar especificamente de financiamentos de projetos.
Autor do modelo de project finance para o campo de Marlim, quando ainda estava na iniciativa privada, ele deve se dedicar, nos próximos contratos, a diversificar a carteira de agentes financiadores dos projetos, hoje formada essencialmente por trading japonesas.
O Japão, um dos únicos grandes países industrializados que não produz nem uma gota petróleo em seu território, quer ter garantido o seu abastecimento caso uma reviravolta internacional feche mercados exportadores. Ronnie acredita que o entrave foi desfeito e vê com tranquilidade a continuação dos quatro projetos. "Devemos fechar o acordo este ano ainda", afirma.

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