Tóquio, 09 (AE-ANSA) - O Japão reconheceu hoje (09) a bandeira com o sol nascente (Hinomaru) e o hino "O reino de sua majestade" (Kimigayo, uma ode ao imperador) como os símbolos oficiais do país, depois de 54 anos de muita discussão e polêmica. Os partidos de esquerda, no entanto, não parecem dispostos a colocar um fim em sua histórica oposição aos dois símbolos. Muitos japoneses se opõem a bandeira e ao hino porque ambos estão ligados a uma era negra da história do país - ao período de expansão militar do Japão. A nova lei também foi criticada por políticos e acadêmicos asiáticos. "A bandeira sempre será um símbolo da agressão japonesa e lembrará o povo da tristeza do passado, reabrindo antigas feridas", disse Albert Ho, um político de Hong Kong. "A nova lei contribui para a impressão de que o Japão está revivendo o militarismo", acrescentou. O professor de história de Xangai, Su Zhiliang, considera a aprovação dos símbolos como "um perigoso sinal" do crescimento do nacionalismo japonês, informou a agência de notícias Kyodo News. No aniversário do bombadeio atômico de Nagasaki, a Câmara Alta do Congresso japonês aprovou nesta segunda-feira (09), por 166 votos a favor e 71 contra, a lei que reconhece o hino e a bandeira, após a aprovação da mesma em 22 de julho pela Câmara Baixa. Até hoje, ambos os símbolos - os mesmos de antes e durante a Segunda Guerra Mundial - haviam sido utilizados somente por costume, sendo a bandeira hasteada do lado de fora de escolas e edifícios governamentais e o hino tocado em eventos esportivos e cerimônias públicas. Os principais oponentes aos símbolos no Japão são os professores
que chegaram a queimar a bandeira de "sol nascente" nos anos 60 e 70. Eles argumentam que os símbolos foram usados para inspirar o militarismo que levou à Segunda Guerra Mundial. Porém
foi precisamente uma tragédia ocorrida em fevereiro deste ano, em uma escola de Hiroshima, que marcou o inpicio da mudança no status dos dois símbolos. O primeiro-ministro Keizo Obuchi decidiu resolver a questão de uma forma definitiva depois que o diretor da escola se enforcou, por ter fracassado em alcançar um consenso na disputa entre o conselho da escola e os professores sobre o uso dos símbolos numa cerimônia de graduação. O episódio provocou uma onda de comoção no país. Após a aprovação da lei, o Partido Comunista e o Partido Social-Democrata manifestaram a manutenção de sua oposição à questão. O porta-voz do sindicado dos prefessores também expressou a posição contrária da entidade: "nossa grande preocupação é que os professores e estudantes se vejam obrigados a aceitar o hino e a bandeira contra a sua vontade". Além disso
o sindicato dos professores disse que "os educadores têm como responsabilidade ensinar as crianças de como a bandeira e o hino tiveram uma influência negativa na liberdade das pessoas no passado". O governo, por sua vez, tratou de amenizar a polêmica e não introduziu na lei eventuais sanções para quem continuar rejeitando ambos os símbolos. "Seria inadmissível obrigar as pessoas a abrirem a boca e cantar o hino", disse o ministro da Educação, Akita Arima. Contudo, em julho, uma medida punitiva foi adotada contra um professor de música de Tóquio, que havia se negado a companhar com o piano um coro de estudantes que deveria cantar o hino. Tal episódio foi agravado pelo fato dessa medida ter sido imposta alguns meses depois da renovação do pacto militar com os Estados Unidos, que confiou às tropas japonesas um papel de apoio logístico ao exército norte-americano em caso de guerra no Pacífico. Trata-se de uma responsabilidade inédita ao Japão desde o final da Segunda Guerra Mundial. A polêmica em torno do hino é maior do que a da bandeira porque a palavra "kimi" expressa a reverência ao imperador, em cujo o nome o Japão tornou-se um potência expansionista. Agora, o governo diz que, embora as palavras permaneçam as mesmas, a canção é uma prece a paz e a prosperidade. Os que apóiam a oficialização da bandeira e do hino têm esperança de que a nova lei coloque um fim na polêmica. "Temos esperança de que as escolas ensinem as crianças que eles devem respeitar a bandeira e o hino e permitam às crianças tornarem-se adultos respeitáveis, que possam fazer parte da comunidade internacional", disse o primeiro-ministro Obuchi através do porta-voz do governo, Hiromu Nonaka. A nova lei entra em vigor nesta sexta-feira.

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