Tóquio, 01 (AE-REUTERS) - O Japão realizou pela primeira vez um transplante de coração legal de um doador com morte cerebral nesta segunda-feira (01). Precedido por décadas de controvérsia, o histórico transplante aconteceu depois de uma semana de debates sobre se o doador estava legalmente morto. De acordo com Hikaru Matsuda, o médico que conduziu a operação, o receptor, um homem de 40 anos, está em condições estáveis. As operações para transplantar o fígado e os rins da doadora, uma mulher de 44 anos que entrou em coma devido a um derrame, foram completadas com sucesso na manhã de hoje (01).
O último transplante de coração realizado no país, em 1968, trouxe uma acusação de assassinato contra o médico Toshiro Wada, que realizou a operação num hospital em Hokkaido. A corte absolveu o médico, mas o caso gerou suspeitas no público em relação à ética médica. No país existe uma grande discussão sobre se uma pessoa é dada como morta quando seu coração pára de bater ou quando seu cérebro deixa de funcionar. Além disso, existe a crença cultural de que o corpo das pessoas deve ir para a "outra vida" intacto. A Lei de Doação de àrgãos do país, que coloca várias restrições para a prática, foi aprovada em 1997 após anos de debates.

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