Albari RosaForçaJanete Ferraz, com a família, no que sobrou do barraco: ‘Somos pobres, mas temos força para superar as dificuldades’Janete Oliveira Ferraz é diarista. Pela manhã, faz a limpeza de casas no Centro de Curitiba - serviço que nunca lhe rende mais que R$ 120,00 por mês. À tarde, volta para seu barraco no Jardim da Ordem, zona sul da cidade, e cuida do lar e da família. São três filhos e o marido, desempregado. De quebra, ela ainda educa um irmão, ainda garoto. Resoluta, afirma: ‘‘Somos pobres, mas temos força para superar as dificuldades’’.
E as dificuldades não têm sido poucas na vida de Janete. Ela morava em Cascavel, no Oeste do Paraná, mas precisou vir com a família para Curitiba devido ao tratamento de saúde do filho Jonathan. O garoto levou uma mordida de cachorro no pênis. ‘‘Como a gente teria que viajar várias vezes para cá e faltaria dinheiro para pagar muitas passagens, decidimos mudar de uma vez’’, lembra. Isso aconteceu há quase um ano.
Quando os Ferraz ocuparam uma área no Jardim da Ordem, construíram um barraco e o mobiliaram, se sentiam realizados. Tudo ia bem até a noite de 7 de fevereiro deste ano, quando o botijão da gás vazou com o fogão aceso e provocou um incêndio. ‘‘Perdemos tudo, até o registro de nascimento das crianças’’, conta Ronaldo Ferraz, o marido de Janete. No olho da rua, eles receberam a ajuda dos moradores vizinhos para reconstruir a casa e a própria vida.
‘‘Os vizinhos deram tábuas e nós juntamos dinheiro para comprar as telhas’’, conta Ferraz. Barraco construído, a família se mantém na luta pela sobrevivência, sem água tratada nem rede de esgoto, com apenas duas refeições diárias. ‘‘Vamos na base do arroz com feijão ou macarrão’’, diz Janete. ‘‘Carne é produto raro’’, acrescenta a mulher, que só estudou até a segunda série primária.
Perto dali, também incluída no Mapa da Pobreza, a empregada doméstica Maria Zenilda da Silva ainda depende de ajuda. Sem os mantimentos que o ex-marido providencia, sua família morreria de fome. Como a creche do bairro está sempre lotada, ela não tem onde deixar os três filhos, que dividem com ela uma cama de solteiro e o barraco minúsculo. ‘‘As crianças tomam meu tempo e fico sem ter como trabalhar’’, desabafa Zenilda, com olhar perdido no rosto e o pequeno Ronaldo, de sete meses, no colo. (D.J.)

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